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“Lei Datena”: projeto propõe punições mais severas para agressões entre candidatos

Projeto de lei criminaliza violência contra políticos

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Redação Brasil Paralelo
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Cadeirada Datena em Pablo Marçal
Fonte da imagem: UOL

A cadeirada que José Luiz Datena deu em Pablo Marçal no debate promovido pela TV Cultura, no último domingo, gerou sérias consequências políticas. O caso impulsionou a proposta de uma nova lei destinada a endurecer as punições contra crimes de agressão física entre candidatos.

Na segunda-feira, 16 de setembro, o deputado federal Sanderson (PL-RS) apresentou o Projeto de Lei nº 3.576/2024, que visa criminalizar e aumentar a penalidade para lesão corporal cometida contra candidatos a cargos eletivos durante o período eleitoral.

A proposta inclui penas mais severas de reclusão, de um a quatro anos. Contempla também a possibilidade de cancelamento do registro de candidatura ou cassação do diploma, caso o agressor já tenha sido eleito.

Ao justificar a urgência de sua proposta, Sanderson (PL-RS) destacou a necessidade de preservar o decoro nos debates eleitorais e evitar que cenas de violência voltem a acontecer.

"O debate eleitoral é um espaço essencial para a democracia, onde os candidatos devem confrontar ideias e propostas, não recorrer à violência física. Este projeto visa a coibir tais comportamentos, garantindo que a integridade dos candidatos seja preservada", afirmou o parlamentar.

A violência entre candidatos registrada no debate na TV Cultura preocupa não apenas os envolvidos diretamente, mas também as autoridades eleitorais. O procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, foi categórico ao reprovar as cenas divulgadas no domingo.

Em nota, Oliveira e Costa afirmou que "a falta de civilidade e sensatez demonstrada por candidatos que pleiteiam o cargo de prefeito da maior cidade do país culminou em uma agressão física lamentável". O Ministério Público Eleitoral já investiga os fatos, e o procurador-geral prometeu tomar as medidas necessárias para garantir a lisura do processo eleitoral.

Cena da cadeirada no debate da TV cultura. Imagem: reprodução redes sociais. 

O incidente ganhou contornos mais graves quando Marçal foi levado ao Hospital Sírio-Libanês e diagnosticado com traumatismo na região do tórax e punho. A equipe médica não constatou complicações severas.

O candidato do PRTB não hesitou em classificar o ato como uma “tentativa de homicídio”, alegando que a agressão foi "covarde". Seus advogados já registraram um boletim de ocorrência por lesão corporal e injúria. O caso também está sob investgação da Polícia Civil.

Datena justificou a reação violenta como um momento de descontrole emocional. Afirmou diversas vezes que as acusações feitas por Marçal o atingiram profundamente. 

O apresentador reconheceu ter perdido a cabeça e expressou arrependimento, mas manteve sua posição de que agiu em defesa de sua honra. Em rede nacional, Pablo Marçal rememorou uma acusação de assédio sexual contra Datena de 2011. A proposta de Sanderson (PL) foi recebida com apoio por outros parlamentares, que interpretam a medida como uma forma de evitar que a violência se infiltre no processo democrático. A previsão é que o projeto seja colocado em pauta em caráter de urgência, dado o impacto do caso nas discussões eleitorais.

O candidato agredido por Datena também recebeu bem a proposta legislativa, mas afirmou que “a lei deveria chamar Marçal”, ao invés de “Lei Datena”, como foi batizada. “Tudo invertido em 2024”, complementou o empresário.

O debate que deveria servir como palco para a troca de ideias transformou-se em episódio de violência, e a repercussão pode ter consequências importantes. 

Com as investigações em andamento e um novo projeto de lei em discussão, o caso de agressão entre Datena e Marçal pode marcar um ponto de virada na maneira como a legislação brasileira trata atos de violência no ambiente político.