Órgão propôs a criação de acervos orais, materiais educativos e projetos formativos para preservação da linguagem.

O Ministério Público Federal (MPF) encaminhou um pedido para que o dialeto usado por travestis no Brasil seja reconhecido como patrimônio cultural imaterial.
A solicitação de análise técnica foi enviada ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A iniciativa se baseia em uma representação da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). A organização já havia tentado estabelecer o reconhecimento através de um Projeto de Lei.
Segundo a Antra, o Pajubá, como conhecido no meio acadêmico, é uma linguagem “de resistência, identidade e expressão cultural, com raízes africanas e forte presença nas comunidades travestis e trans”.
Parte do vocabulário utiliza termos de origem africana, principalmente com raízes ligadas às etnias ioruba e nagô.
Esse dialeto seria uma “ferramenta de comunicação e reconhecimento entre pessoas LGBTQIA+, com importância social, afetiva e política”.
O MPF destacou que a linguagem já possui documentação extensa em dicionários comunitários, inventários lexicais, pesquisas acadêmicas e obras literárias.
Isso justificaria sua proteção formal segundo os critérios estabelecidos na Constituição e nas normas do patrimônio imaterial brasileiro.
No ofício enviado ao Iphan, o MPF sustenta que esse dialeto se consolidou durante o período do regime militar e se firmou como símbolo de identidade e resistência cultural.
O ofício também propôs a realização de ações conjuntas entre o Iphan e o Ministério da Cultura, como a produção de acervos orais, materiais educativos e projetos formativos voltados à preservação da linguagem.
O documento afirma que reconhecer o dialeto trans é um “gesto de reparação simbólica” e fortalece políticas de valorização de expressões culturais historicamente marginalizadas.
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