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Ele ganhou medalha na Europa, tocou com grandes nomes da música e hoje vive nas ruas de São Paulo

Entre o vício e o abrigo improvisado sob as obras do metrô, o flautista continua a ensinar e sonha com um novo disco.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Flautista Charles Gonçalves
Fonte da imagem: Divulgação

Nas obras do metrô, em São Paulo, entre barracas improvisadas e vigas de concreto, vive um flautista premiado na Europa.

Charles Gonçalves, 52 anos, ganhou medalha na Holanda em um projeto da Unesco e venceu o Prêmio Sharp em 1988.

Além disso, se apresentou no Fantástico, no Domingão do Faustão e no Altas Horas, tocou com Beth Carvalho e Dominguinhos e gravou dois discos. Hoje dorme na rua.

A história foi reportada pelo Metrópoles, que encontrou Charles por acaso depois que usuários de crack da região disseram aos repórteres que havia um flautista premiado vivendo por ali.

Uma vida dedicada à música

Charles atribui o retorno às ruas a uma separação conjugal há dois anos. Não foi a única recaída em mais de 30 anos de dependência de álcool e outras drogas, mas diz ser a mais longa. No entanto, ele nunca se afastou de sua flauta.

Quando a reportagem chegou, ele havia acabado de dar uma aula para um aluno engenheiro agrônomo. Outro aluno é psiquiatra.

Ele tem canal no YouTube, dois discos gravados e participação em outros 20 ou 30. Um de seus objetivos é gravar um terceiro volume de Clássicos em Choro.

Seu irmão gêmeo Reinaldo é violonista e também vive na rua. Um terceiro irmão integra os Demônios da Garoa.

Questionado sobre por que não aceita ajuda de órgãos públicos, ele responde que não quer ser colocado e esquecido em uma clínica. 

Sobre o vício, Charles não fala em abstinência total. Diz que vai reduzindo aos poucos, no seu tempo. E, apesar de tudo, ele afirma ainda que encontra motivo para agradecer.

"Eu acredito que o meu pulmão é emprestado de Deus. Sou um cara agradecido por estar vivo diante de tanto preconceito, discriminação, julgamento”, disse ao Metrópoles


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