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Restaurante mais antigo do Brasil anuncia expansão após 144 anos de história

Frequentado por intelectuais do século XX, o restaurante já teve a presença de Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir e Mário de Andrade

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Restaurante Leite
Fonte da imagem: Divulgação

No centro histórico do Recife, entre a Praça Joaquim Nabuco e as águas do Rio Capibaribe, o Restaurante Leite está em operação há mais de um século.

Fundado em 1882, o estabelecimento que serviu banquetes sob a iluminação a gás no Segundo Reinado e resistiu a duas guerras mundiais, anuncia uma expansão após 144 anos.

A reforma, concluída após três anos de obras discretas durante a madrugada para não interromper o serviço, incorporou o prédio vizinho, que estava desabitado.

O novo espaço é voltado para eventos e devolve ao cliente a vista do rio que moldou a capital pernambucana. O novo espaço é o marco mais ambicioso da família Dias, que assumiu a gestão em 1956 para reerguer o negócio em sua quarta administração.

O restaurante consolidou-se como um palco informal da política e da cultura nacional. Em 1960, o local recebeu os filósofos franceses Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir.

Ali também foi parada de nomes como Mário de Andrade e Gilberto Freyre, tornando-se o ponto de encontro de intelectuais do século XX.

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Modernização do local preserva tradição secular

A origem do restaurante remonta ao português Armando Manoel Leite, que iniciou o negócio como um quiosque próximo à Ponte da Boa Vista.

Rapidamente foi necessário a mudança para os prédios pertencentes ao Real Hospital Português, onde permanece até hoje.

A tradição é mantida pelo mobiliário centenário e o cardápio fiel às raízes, com pratos como a lagosta à Thermidor e a cartola, sobremesa reconhecida como patrimônio cultural de Pernambuco.

Sob o comando da empresária Daniela Ferreira da Fonte, a expansão sinaliza uma adaptação necessária sem ruptura com o passado.

A modernização incluiu a criação de um bar contemporâneo e a ampliação da cozinha para maior eficiência operacional.

Ao assimilar o edifício vizinho, onde a família Dias já operou uma alfaiataria e uma casa de câmbio no passado, o restaurante mais antigo em funcionamento no país reforça o seu papel como guardião da memória recifense.

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