Referência mundial em Bach, Martins passou por 20 cirurgias nas mãos e hoje se dedica à regência.

Aos 85 anos, João Carlos Martins inaugurou em São Paulo a Orquestra Bachiana Sênior SESI-SP, o primeiro grupo sinfônico do Brasil formado exclusivamente por músicos com mais de 60 anos.
A orquestra reúne 25 músicos, com idades entre 62 e 80 anos, muitos deles aposentados de instituições como a Osesp e a Sinfônica Municipal. O convite para voltar aos palcos foi recebido, em grande parte dos casos, com lágrimas.
Para Martins, a iniciativa é uma resposta direta à substituição de talentos experientes por músicos mais jovens. Além do repertório erudito tradicional, as apresentações abordarão temas como a relação entre música, psicanálise e meio ambiente.
Com o novo grupo, a Bachiana se torna a única instituição no mundo a manter simultaneamente orquestras nas modalidades filarmônica, jovem e sênior.
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Nascido em São Paulo em 1940, em uma família de intelectuais e juristas, é irmão do jurista Ives Gandra Martins, João Carlos é um dos principais intérpretes de Johann Sebastian Bach no mundo.
Aos 21 anos, já lotava o Carnegie Hall, em Nova York. O New York Times o descreveu como um dos maiores pianistas do mundo.
Sua trajetória, no entanto, foi marcada por uma série de traumas nas mãos. Uma lesão nervosa após acidente em jogo de futebol. Uma agressão com barra de ferro durante um assalto na Bulgária. Doenças raras, como a distonia focal e a contratura de Dupuytren.
Ao todo, 20 cirurgias e a perda progressiva dos movimentos das mãos.
Afastado do piano, passou a se dedicar à regência, assumindo a Bachiana Filarmônica SESI-SP em palcos no Brasil e no exterior.
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