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Navios de luxo da COP30 foram contratados via empresa do sócio de Vorcaro

Embratur diz que processo seguiu chamamento público e que contrato foi auditado e aprovado por unanimidade pelo Tribunal de Contas da União.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Cruzeiros ancorados na praia do Outeiro, em Belém
Fonte da imagem: Brasil Paralelo

Em novembro do ano passado, dois transatlânticos de luxo atracaram no Porto de Outeiro, em Belém do Pará.

O MSC Seaview e o Costa Diadema, trazidos da Itália, tinham até 24 andares de altura e se tornaram um dos símbolos mais controversos da COP30.

Foram contratados pelo governo federal como solução emergencial para a escassez de hospedagem: Belém contava com cerca de 20 mil leitos em sua rede hoteleira para receber 50 mil participantes.

Os navios somavam 3.900 cabines e capacidade para até seis mil hóspedes. As diárias variavam entre R$7.900 e R$48.562.

A operação custou R$350,2 milhões, além de R$259 milhões reservados para cobrir eventuais prejuízos caso as cabines não fossem ocupadas.

Agora, uma reportagem do Metrópoles revela que os navios foram contratados via Qualitours, empresa cujo dono é apontado como sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde março por suspeitas de fraude financeira e organização criminosa.

A empresa contratada pertence a possível sócio de Vorcaro

A Qualitours pertence ao empresário Marcelo Cohen, apontado como sócio de Vorcaro no hotel de luxo Botanique, em Campos do Jordão.

A empresa integra a holding BeFly, criada por Cohen em 2021 com o impulsionamento de fundos ligados ao Banco Master.

Segundo a Folha de S. Paulo, um relatório de inteligência financeira do Coaf apontou uma transação em espécie de R$6 milhões, em novembro de 2024, entre o Master e a empresa de Cohen.

  • A Brasil Paralelo investigou a teia criminosa em torno de Vorcaro com o documentário Raio X Banco Master.

Governo afirma não haver irregularidades 

Em nota ao Metrópoles, a Embratur afirmou que a Qualitours foi selecionada por chamamento público e apresentou todos os documentos exigidos para comprovar idoneidade.

A agência ressaltou que não houve participação do Banco Master na operação e que a estruturação financeira foi garantida pelo BTG Pactual, por meio de carta fiança.

O contrato foi auditado e aprovado por unanimidade pelo TCU, que considerou a contratação regular e economicamente mais vantajosa do que o fretamento direto dos navios. 

A BeFly atende mais de 9 mil empresas com soluções de viagens corporativas e afirmou que o Master atuou apenas como instituição provedora de linhas de crédito entre 2021 e 2023 e que os compromissos seguem sendo regularmente honrados, sem qualquer irregularidade.

A Brasil Paralelo acompanhou esses cruzeiros de perto

Na época, os cruzeiros contratados para a COP30 viraram símbolo da polêmica em torno do evento.

A Brasil Paralelo esteve em Belém e registrou o que acontecia do lado de fora dos navios. Quem olhava da praia via outra coisa.

"Foi gasto mais de duzentos milhões aqui, nessa parte do cruzeiro. Foi um dinheiro bem gasto em parte, mas deixaram Outeiro abandonado", disse o morador Damião de Paula Araújo.

O que a COP representou? Um evento para salvar o planeta ou um grande palco político? A Brasil Paralelo investigou.

Assista no canal da BP.

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