Votação foi adiada, mas governo conta com acordo do presidente da Câmara, Hugo Motta.

O projeto para acabar com a escala 6x1 é um dos mais polêmicos que estão sendo discutidos pelo Congresso.
A votação do projeto deveria acontecer hoje (26), mas foi adiada após um pedido de vista do deputado Maurício Marcon (PL-RS).
O relatório do deputado Léo Prates (Republicanos-BA) está sendo analisado na comissão especial da Câmara dos Deputados que discute a PEC.
A expectativa é que o texto volte à pauta nesta quarta-feira (27) e, caso seja aprovado na comissão, siga rapidamente para votação no plenário da Câmara.
O parecer apresentado por Léo Prates prevê o fim da escala 6x1, modelo em que o trabalhador tem apenas um dia de folga por semana.
Pela proposta, os empregados passarão a ter direito a dois dias de descanso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos.
Além disso, a jornada semanal cairia das atuais 44 horas para 40 horas, sem redução salarial. A mudança seria implementada em duas etapas.
A primeira acontecerá 60 dias após a promulgação da PEC e contará com um período de transição com uma jornada de até 42 horas semanais. A regra definitiva passará a valer um ano depois disso.
Segundo o texto, todas as mudanças valerão também para contratos que já estão em vigor.
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Profissionais com diploma de ensino superior e renda acima de duas vezes e meia o teto do INSS, atualmente acima de R$20 mil mensais, não seriam incluídos nas novas regras de jornada.
Segundo Léo Prates, a medida busca enfrentar a chamada “pejotização” de trabalhadores de alta renda, permitindo maior flexibilidade para contratos desse perfil.
Outro ponto em negociação envolve os microempreendedores individuais (MEIs) e pequenas empresas.
Hugo Motta afirmou que o texto ainda está sendo ajustado para permitir que MEIs possam contratar mais funcionários, já que a redução da jornada exigiria reorganização das escalas de trabalho.
O relatório também prevê que futuras leis possam criar mecanismos temporários para reduzir impactos financeiros sobre pequenas empresas, desde que os empregos sejam preservados.
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O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que há três pontos considerados “inegociáveis” pelo governo e pela Câmara:
o fim da escala 6x1;
a redução da jornada para 40 horas semanais;
a proibição de redução salarial.
Antes do acordo, parlamentares da oposição defendiam uma mudança mais gradual, que poderia durar até dez anos.
O acordo entre Lula e Hugo Motta acelerou a tramitação da PEC na Câmara. Integrantes do governo acreditam que a pressão popular pode influenciar o Senado, especialmente porque a maioria dos senadores estará em disputa eleitoral em 2026.
Mesmo assim, a aprovação na outra Casa ainda é tratada com cautela. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ainda não assumiu compromisso público de apoiar a proposta.
Como se trata de uma PEC, o texto precisa ser aprovado com o mesmo conteúdo pela Câmara e pelo Senado.
Qualquer mudança feita pelos senadores obrigaria a proposta a retornar para nova análise dos deputados.