Antônio Segurou liderou o primeiro turno das eleições e enfrentará André Ventura, crítico de Lula e apoiador de Bolsonaro.
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Um acontecimento inédito na história de Portugal abriu o ano de 2026. Há mais de 50 anos o país não presenciava um segundo turno na eleição presidencial.
De um lado, André Ventura, o líder de um partido de direita em ascensão conhecido entre os brasileiros imigrantes por seu apoio a Bolsonaro e críticas a Lula.
Do outro, um candidato socialista que liderou o primeiro turno das eleições presidenciais do país com 30,87% dos votos.
Com uma carreira de décadas passando pelos principais cargos do Estado português, o socialista António José Martins Seguro avançou para o segundo turno, marcado para 8 de fevereiro.
Entre as transformações e tensões da esquerda em Portugal, que abriga cerca de meio milhão de brasileiros imigrantes, o acadêmico e nome histórico da esquerda no país seguiu um caminho intelectual com militância partidária desde cedo:
Após se formar em Relações Internacionais e concluir mestrado em Ciência Política, Seguro liderou a ala jovem do Partido Socialista entre seus 25 e 30 anos. Mais tarde, foi Secretário de Estado da Juventude no governo socialista de António Guterres.
Até os seus 45 anos, Seguro foi Deputado do Parlamento português, órgão legislativo nacional equivalente ao Congresso no Brasil, com vários mandatos ao longo da carreira.
Também foi Eurodeputado do Parlamento Europeu, representando Portugal no legislativo da União Europeia. E aos 50 anos, se tornou Secretário-geral do Partido Socialista (PS), principal liderança do maior partido de esquerda de Portugal.
Durante dez anos, Seguro se afastou da política para se dedicar a docência universitária após perder a liderança do PS para António Costa. Até que em 2025, aos 63 anos, ele retornou à política quando anunciou sua candidatura à Presidência da República.
Entretanto, os adversários do candidato sugerem que Seguro se afastou porque esperou o Partido Socialista se desgastar, após escândalos que ocorreram durante todos esses anos.
Hoje, o candidato se apresenta como “esquerda moderna e moderada" e promete um mandato com menor intervenção política:
"O país precisa de um presidente independente. Eu não serei um presidente que será uma espécie de primeiro-ministro sombra em Belém", afirmou.
Caso ganhe no segundo turno, Seguro precisará lidar com um primeiro-ministro mais poderoso, dado que Portugal mantém um modelo semipresidencial, no qual o presidente tem funções como:
Ou seja, embora tenha influência política relevante, o presidente não governa diretamente nem implementa políticas públicas por conta própria.
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