Outras duas pessoas foram levadas pela polícia durante investigação sobre envenenamento de pacientes.

Pacientes foram para o Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF), na busca de se recuperarem de suas doenças, mas acabaram sendo mortos por quem deveria ajudá-los.
A polícia aponta que um técnico de enfermagem foi responsável por ao menos três assassinatos.
Ele teria injetado medicamentos que causam paradas cardíacas nas veias dos pacientes. A vítima mais jovem tinha 33 anos e era um funcionário dos Correios, que deixou a esposa e um filho de apenas 5 anos.
Além dele, um idoso de 75 anos e outro de 73 anos morreram por causa da ação do enfermeiro.
Uma das vítimas não apresentava nenhum risco de vida e estava internada apenas para averiguar uma constipação intestinal.
O delegado Maurício Lacozili, responsável pelo caso, disse que a polícia ainda não conseguiu descobrir o motivo do crime:
“Quando questionamos ele começou a titubear. Inicialmente disse que o plantão estava muito cansativo, depois disse que queria aliviar o sofrimento das vítimas, porém a primeira das vítimas estava bem e consciente, apenas com uma constipação intestinal”.
O técnico de enfermagem não foi o único preso pelas mortes. A polícia levou outros dois suspeitos de envolvimento nos crimes.
Uma delas era uma mulher de 22 anos, que esteve com o técnico em quase todos os momentos.
Ela chegou a vigiar o local para avisar se outra pessoa estivesse chegando enquanto ele preparava e cometia os crimes.
A polícia também cumpriu três mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia (DF) e Águas Lindas (GO).
O caso de Taguatinga se assemelha aos assassinatos cometidos pelo enfermeiro Charles Cullen, nos EUA.
Ele matou dezenas de pacientes com overdoses de insulina e contaminou sacos de soro para causar mortes aleatórias.
Cullen foi descoberto após consumir medicamentos do estoque, o que levou a sua demissão.
Pouco tempo depois, ex-colegas denunciaram o serial killer à polícia. Cullen assumiu os crimes em 2003.
O serial killer disse que cometeu 40 homicídios ao longo de 16 anos, porém há estimativas de que ele possa ter sido responsável por até 400 mortes.
O motivo para os assassinatos seria “piedade com os pacientes”. Ele afirmou que matou para “acabar com o sofrimento” deles.
Ele foi condenado e segue preso por 11 prisões perpétuas, sem possibilidade de condicional até 10 de junho de 2388.
Em uma nota, o hospital declarou que foi responsável pelas investigações que levaram à prisão dos três suspeitos e disse prestar apoio à família.
Leia a nota completa:
“O Hospital Anchieta S.A., referência em cuidados de saúde em Brasília/DF há 30 anos, vem a público esclarecer as providências adotadas diante de fatos graves envolvendo ex-funcionários da instituição.
Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que, em menos de 20 dias, resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes.
Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos – os quais haviam sido desligados da instituição –, as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026.
Pautado pela transparência de seus processos e pela confiança nos protocolos internos que norteiam sua atuação, o hospital entrou em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora.
Reitera, ainda, que o caso tramita em segredo de Justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais bem como a identificação das partes envolvidas.
O hospital entende que o segredo de Justiça é imprescindível à preservação da apuração, à proteção das partes envolvidas e ao regular exercício das atribuições das autoridades competentes, o qual deve ser estritamente observado de acordo com os limites impostos pela decisão judicial.
O hospital, enquanto também vítima da ação desses ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a justiça.”
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