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O que se sabe sobre o surto recente de hantavírus?

O Ministério da Saúde afirma que o surto não representa risco para o Brasil.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Rato em close-up com ilustração microscópica de vírus, em imagem sobre risco de transmissão do hantavírus por roedores.
Fonte da imagem: Gerado por Inteligência Artificial

O navio de cruzeiro MV Hondius, que saiu da Argentina em direção a Cabo Verde, já estava havia quase duas semanas navegando pelo oceano Atlântico, próximo a uma das ilhas mais isoladas do mundo.

Foi nesse momento que o capitão reuniu os passageiros para um anúncio urgente.

Um passageiro holandês, de 70 anos, havia morrido após contrair hantavírus. Dias depois, outros casos começaram a surgir a bordo.

Até o momento, sete infecções foram identificadas no navio e três pessoas morreram: um casal holandês e um cidadão alemão.

O episódio colocou novamente nas manchetes um vírus pouco conhecido do grande público, mas que já é monitorado há décadas por autoridades sanitárias do mundo inteiro.

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O que é o hantavírus?

Não se trata de um vírus novo. O Hantavírus foi identificado na década de 1970, na região do rio Hantan, na Coreia do Sul, origem do nome da doença.

O hantavírus é uma zoonose, ou seja, uma doença transmitida de animais para humanos.

Os principais reservatórios são roedores silvestres

A transmissão ocorre, na maior parte dos casos, quando pessoas respiram partículas contaminadas presentes na urina, saliva ou fezes desses animais.

Isso costuma acontecer em ambientes fechados, como galpões, celeiros, cabanas ou casas abandonadas.

De acordo com o Ministério da Saúde, o vírus também pode ser transmitido por mordidas, arranhões ou contato das secreções contaminadas com olhos, boca e nariz.

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Transmissão entre pessoas chama a atenção

O que tornou o caso do cruzeiro incomum foi a suspeita de transmissão entre pessoas.

Na maior parte das variantes conhecidas, o hantavírus não passa facilmente de humano para humano.

No entanto, existe uma cepa específica, chamada Andes, associada a casos raros de transmissão interpessoal registrados na Argentina e no Chile.

É justamente essa variante que está sendo investigada no surto do navio.

Mesmo assim, autoridades internacionais afirmam que o risco global permanece baixo.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, afirmou que não há indícios de uma nova pandemia.

Para que ocorra contágio entre humanos, geralmente é necessário contato próximo e prolongado.

Taxa de letalidade pode chegar a 38%

No Brasil e nas Américas, a doença costuma se manifestar como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus.

Os primeiros sintomas podem parecer uma gripe comum: febre, dores musculares, dor de cabeça, fadiga e sintomas gastrointestinais.

Dias depois, alguns pacientes desenvolvem falta de ar, insuficiência respiratória e comprometimento cardíaco grave.

A taxa de letalidade pode chegar a 38%.

Não existe tratamento específico para o hantavírus. Os pacientes recebem suporte médico, oxigênio e, em casos graves, ventilação mecânica e internação em UTI.

Há risco para o Brasil?

Segundo o Ministério da Saúde, o surto internacional não representa risco direto para o país neste momento.

O Brasil não possui registro da circulação do genótipo Andes, associado à transmissão entre humanos.

De acordo com dados oficiais do Ministério da Saúde, o Brasil registrou, entre 2013 e 2026, 860 casos confirmados de hantavirose, resultando em 341 óbitos.

Em 2026, sete casos foram confirmados no Brasil, com um óbito registrado em Minas Gerais.

A principal recomendação das autoridades sanitárias continua sendo evitar contato com locais infestados por roedores e não varrer ambientes fechados com sinais de fezes ou urina desses animais, já que isso pode espalhar partículas contaminadas pelo ar.

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