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PCC financiou manifestação pelos direito dos presos em Brasília

Passeatas aconteceram na esplanada dos ministérios e foram usadas para lavar dinheiro e ganhar apoio.

Por
Rafael Lorenzo M Barretti
Publicado em
PCC financiava manifestações pelos direitos dos presos
Fonte da imagem: Observatório do Crime

A maior facção criminosa do Brasil financiou manifestações pelos “direitos dos presos” na Esplanada dos Ministérios

É o que aponta uma investigação do Gaeco, o grupo de combate ao crime organizado do Ministério Público do Distrito Federal.

Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, quatro em São Paulo e um no Distrito Federal.

Entre 2022 e 2023, integrantes do PCC organizaram e financiaram protestos que se apresentavam como reivindicações sociais em Brasília.

Na prática, os atos serviam para mascarar a movimentação de dinheiro ilícito da facção, ampliar sua influência política e ganhar apoio entre familiares de detentos.

O dinheiro do crime era usado para pagar toda a infraestrutura dos eventos, incluindo alimentação, banheiros químicos e até o transporte de manifestantes.

A análise de dados bancários identificou movimentações suspeitas de depósitos feitos em dinheiro vivo e transferências realizadas às véspera dos eventos. 

Os investigadores também encontraram indícios de empresas de fachada com endereços fictícios foram usadas para movimentar o dinheiro.

A mensagem que revelou o esquema

Em outubro do ano passado, uma reportagem do O Globo mostrou mensagens interceptadas do celular de Michael Silva, o "Neymar do PCC", que revelaram como o esquema funcionava na prática.

Em uma das mensagens, ele pedia ajuda financeira a um contato para cobrir os gastos de uma passeata:

"Amigo, sabe que eu ia te falar em cima do que meu padrinho te falou e eu também: de você e os amigos darem uma ajuda em cima da passeata que vai ter agora dia 28. Vai sair os ônibus para Brasília. Queria ver se você e os 'truta' vão ajudar mesmo, que temos que pagar os ônibus e comprar um lanche", diz a mensagem. O interlocutor respondeu que iria ajudar com R$ 3 mil.”

Esse é mais um exemplo de como o crime organizado tem se infiltrado e enraizado na sociedade brasileira.

Enquanto o poder das facções aumenta, a população vive presa em casa, com medo de ser vítima da crise de violência que assola o país.

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