Atualidades5 min de leitura

Trump chama Leão XIV de fraco e liberal e o papa responde que não tem medo dele

Horas depois de criticar o papa nas redes sociais, Trump publicou uma imagem de si mesmo vestido como Jesus Cristo.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Donald Trump e papa Leão XIV
Fonte da imagem: Retrato oficial de Trump e Vatican Media

As tensões entre o Papa e o presidente dos EUA cresceram no último domingo, 12 de abril, quando Donald Trump publicou criticou abertamente o papa Leão XIV nas redes sociais.

Trump afirmou que não quer "um papa que ache aceitável o Irã ter armas nucleares", criticou Leão XIV pela posição sobre a Venezuela e classificou o pontífice como fraco e "muito liberal".

Além disso, ele afirmou que o papa só foi eleito porque a Igreja queria alguém capaz de "lidar com Donald Trump".

"Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano."

Postagem de Donald Trump no Truth Social
Reprodução

Horas depois, publicou uma imagem de si mesmo vestido como Jesus Cristo.

Postagem de trump no Truth Social
Reprodução

Leão XIV respondeu afirmando que não tem medo do governo Trump.

 "Não tenho medo do governo Trump, nem de falar abertamente sobre a mensagem do Evangelho, que é o que acredito ser minha missão. Não somos políticos, não lidamos com política externa da mesma perspectiva que ele. Mas acredito na mensagem do Evangelho, como um pacificador."

  • Que tal receber notícias todos os dias em seu WhatsApp? Clique aqui e entre para o canal oficial da Brasil Paralelo. 

Ameaças à Igreja Católica durante reunião no Pentágono

A tensão vem se acumulando desde janeiro, quando militares americanos se reuniram a portas fechadas no Pentágono com o cardeal Christophe Pierre, representante diplomático do Vaticano nos EUA

De acordo com religiosos ouvidos pelo jornal The Free Press, os oficiais afirmaram que as forças armadas têm poder para fazer o que quiserem e que seria melhor se a Igreja estivesse ao seu lado.

Para reforçar o recado, falaram sobre o "Cativeiro de Avignon", período entre 1309 e 1377 em que os papas deixaram Roma e passaram a viver na França sob influência da coroa francesa. O Departamento de Defesa negou as ameaças.

O clima continuou se deteriorando. Leão XIV condenou a "diplomacia baseada na força" e, quando Trump ameaçou destruir a civilização iraniana caso o Irã se recusasse a abrir o Estreito de Ormuz, o papa chamou a ação de inaceitável.

"A ameaça contra o povo do Irã é inaceitável. Há questões de direito internacional, mas muito mais do que isso, é uma questão moral."

Resposta ao secretário de Guerra americano

No dia 29 de março, Domingo de Ramos, Leão XIV fez um pronunciamento que soou como uma resposta direta ao secretário de Guerra americano, que havia pedido a Deus que "quebrasse a vara do opressor" na guerra contra o Irã.

 "Este é o nosso Deus: Jesus, rei da paz, que rejeita a guerra, a quem ninguém pode usar para justificar a guerra”, afirmou o papa.

Um americano cada vez mais longe do governo dos EUA

O papa nasceu em Chicago e é o primeiro pontífice americano da história. Ele não voltou aos EUA desde que assumiu o pontificado.

Convites para as celebrações dos 250 anos da independência americana foram recusados. No 4 de julho, Leão XIV estará em Lampedusa, símbolo da crise migratória no Mediterrâneo.

Enquanto Trump acusa o papa de ser um “político” que está prejudicando a Igreja, o papa americano afirma que não é político e que não tem medo de Trump. Dois americanos. Duas missões e até agora, nenhuma ponte entre eles.

Mesmo tendo nascido e exercido parte de seu trabalho em solo americano, Robert Prevost passou grande parte da vida no Peru antes de se mudar para Roma e se tornar papa.

Antes de ser eleito, chegou a usar suas redes sociais para comentar sobre as políticas migratórias de Trump.

Os principais pontos da vida do papa Leão XIV estão na produção original da Brasil Paralelo, Trajetória de Robert Prevost: de Chicago ao Vaticano. Assista gratuitamente abaixo.

O jornalismo da Brasil Paralelo existe graças aos nossos membros

Como um veículo independente, não aceitamos dinheiro público. O que financia nossa estrutura são as assinaturas de cada pessoa que acredita em nossa causa. 

Quanto mais pessoas tivermos conosco nesta missão, mais longe iremos. Por isso, agradecemos o apoio de todos. 

Seja também um membro da Brasil Paralelo e nos ajude a expandir nosso jornalismo. 

Clique aqui.