Horas depois de criticar o papa nas redes sociais, Trump publicou uma imagem de si mesmo vestido como Jesus Cristo.

As tensões entre o Papa e o presidente dos EUA cresceram no último domingo, 12 de abril, quando Donald Trump publicou criticou abertamente o papa Leão XIV nas redes sociais.
Trump afirmou que não quer "um papa que ache aceitável o Irã ter armas nucleares", criticou Leão XIV pela posição sobre a Venezuela e classificou o pontífice como fraco e "muito liberal".
Além disso, ele afirmou que o papa só foi eleito porque a Igreja queria alguém capaz de "lidar com Donald Trump".
"Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano."

Horas depois, publicou uma imagem de si mesmo vestido como Jesus Cristo.

Leão XIV respondeu afirmando que não tem medo do governo Trump.
"Não tenho medo do governo Trump, nem de falar abertamente sobre a mensagem do Evangelho, que é o que acredito ser minha missão. Não somos políticos, não lidamos com política externa da mesma perspectiva que ele. Mas acredito na mensagem do Evangelho, como um pacificador."
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A tensão vem se acumulando desde janeiro, quando militares americanos se reuniram a portas fechadas no Pentágono com o cardeal Christophe Pierre, representante diplomático do Vaticano nos EUA
De acordo com religiosos ouvidos pelo jornal The Free Press, os oficiais afirmaram que as forças armadas têm poder para fazer o que quiserem e que seria melhor se a Igreja estivesse ao seu lado.
Para reforçar o recado, falaram sobre o "Cativeiro de Avignon", período entre 1309 e 1377 em que os papas deixaram Roma e passaram a viver na França sob influência da coroa francesa. O Departamento de Defesa negou as ameaças.
O clima continuou se deteriorando. Leão XIV condenou a "diplomacia baseada na força" e, quando Trump ameaçou destruir a civilização iraniana caso o Irã se recusasse a abrir o Estreito de Ormuz, o papa chamou a ação de inaceitável.
"A ameaça contra o povo do Irã é inaceitável. Há questões de direito internacional, mas muito mais do que isso, é uma questão moral."
No dia 29 de março, Domingo de Ramos, Leão XIV fez um pronunciamento que soou como uma resposta direta ao secretário de Guerra americano, que havia pedido a Deus que "quebrasse a vara do opressor" na guerra contra o Irã.
"Este é o nosso Deus: Jesus, rei da paz, que rejeita a guerra, a quem ninguém pode usar para justificar a guerra”, afirmou o papa.
O papa nasceu em Chicago e é o primeiro pontífice americano da história. Ele não voltou aos EUA desde que assumiu o pontificado.
Convites para as celebrações dos 250 anos da independência americana foram recusados. No 4 de julho, Leão XIV estará em Lampedusa, símbolo da crise migratória no Mediterrâneo.
Enquanto Trump acusa o papa de ser um “político” que está prejudicando a Igreja, o papa americano afirma que não é político e que não tem medo de Trump. Dois americanos. Duas missões e até agora, nenhuma ponte entre eles.
Mesmo tendo nascido e exercido parte de seu trabalho em solo americano, Robert Prevost passou grande parte da vida no Peru antes de se mudar para Roma e se tornar papa.
Antes de ser eleito, chegou a usar suas redes sociais para comentar sobre as políticas migratórias de Trump.
Os principais pontos da vida do papa Leão XIV estão na produção original da Brasil Paralelo, Trajetória de Robert Prevost: de Chicago ao Vaticano. Assista gratuitamente abaixo.
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