Em nota, a assessoria do ministro disse que o Governo do Brasil não será intimidado por "ameaças judiciais vazias".

A Uber enviou um documento formal ao ministro Guilherme Boulos pedindo que ele pare de sugerir que a empresa paga políticos e influenciadores para defender seus interesses. A informação é da coluna Painel, da Folha de S.Paulo.
O motivo foram duas declarações públicas do ministro. No dia 22, em vídeo no YouTube, Boulos disse: "Nada me tira da cabeça que tem algum negócio aí" e questionou se políticos defenderiam a empresa sem receber nada em troca.
No dia 17, durante uma live do governo, afirmou que influenciadores e políticos estariam "a serviço" das plataformas e possivelmente receberiam "dinheiro em troca".
A Uber nega as insinuações e diz ter regras internas rígidas contra suborno e corrupção. No documento, a empresa pede que Boulos apresente provas, nomes e valores que sustentem o que disse, ou que pare de repetir as acusações.
O documento enviado é uma notificação extrajudicial, um aviso formal que os advogados enviam antes de abrir um processo na Justiça.
Por si só, não tem consequência legal imediata, mas indica que a empresa pode processar o ministro se ele não mudar de postura.
Em nota, Boulos disse que "a Uber, uma empresa norte-americana, não vai intimidar o governo do Brasil com ameaças judiciais vazias."
A regulamentação do trabalho por aplicativos é uma das principais bandeiras do governo Lula em ano eleitoral, com Boulos à frente da articulação no Congresso.
O ministro tem classificado as empresas como "arrogantes" e "intransigentes" e comparado o tema ao debate sobre o fim da escala 6x1.
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