Música vai contar versão romantizada da história de Lula e fará críticas a Bolsonaro.

Se você acompanha os desfiles de carnaval tem reparado que as escolas estão fazendo apresentações cada vez mais politizadas.
Ano passado, Érika Hilton desfilou em um carro alegórico inspirado na história de um transsexual pela Paraíso do Tuiuti.
No ano anterior, Boulos sambou com artistas vestidos de policiais caracterizados como demônios na Vai Vai.
Este ano, o desfile da Série Ouro na Sapucaí será aberto por uma escola que trará um samba enredo completamente dedicado a contar a trajetória de Lula.
O título é “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. O mulungu é uma árvore que cresce em Pernambuco, a apresentação contará a história do presidente da infância em Garanhuns até o Palácio do Planalto.
A Acadêmicos de Niterói tem pedido que seus artistas evitem fazer o “L”, símbolo do presidente, por medo de ferir o regulamento do desfile, que proíbe propaganda política.
Além de elogiar o presidente, a escola também trará críticas a Bolsonaro, mesmo sem mencionar seu nome.
Um dos trechos da música diz "aceite se perder, se o ideal valer, nunca desista, não é digno fugir", em referência à viagem de Bolsonaro para os EUA após as eleições de 2022.
Em outro trecho, a música fala que um dos legados de Lula é "firmar a soberania sem mitos falsos, sem anistia".
Além disso, um outro momento, o enredo diz que o petista mostra força ao “não temer tarifas e sanções”, um trecho que fala sobre a tensão entre Lula e Trump no ano passado.
Fundada em 2018, a Acadêmicos de Niterói surgiu com o objetivo de representar a cidade vizinha ao Rio de Janeiro na elite do samba carioca.
Em poucos anos passou pelas divisões inferiores até chegar ao Grupo Especial, onde estreia agora, abrindo os desfiles na Marquês de Sapucaí.
O principal nome por trás do projeto é o presidente de honra da escola, Anderson Pipico, vereador de Niterói filiado ao PT.
Ao longo dos últimos anos, a escola recebeu apoio institucional da prefeitura de Niterói, administrada por Axel Grael (PDT), aliado do prefeito do Rio, Eduardo Paes.
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