Protestos contra crise econômica crescem e manifestantes pressionam a República Islâmica.

Enquanto os olhos do mundo voltavam para a captura do ditador Nicolás Maduro na Venezuela, outra nação que se opõe aos EUA enfrenta uma grave crise política.
O Irã está enfrentando uma grande onda de protestos que começaram no dia 28 de dezembro e seguem ativos.
As manifestações começaram em Teerã, impulsionadas por comerciantes e lojistas, e se espalharam para cerca de 32 cidades.
Os protestos acontecem em meio a uma crise econômica e à falta de perspectivas para a população.
A inflação é um dos principais motivos para as manifestações. Ao longo do último ano, a moeda iraniana, o rial, passou por uma desvalorização histórica.
A inflação ultrapassou 42%, com um aumento de 52% nos preços em comparação com 2023. Isso fez os preços de alimentos, medicamentos e serviços básicos dispararem.
Com o passar dos dias, os protestos ganharam um caráter político mais explícito. As demandas deixaram de ser apenas sobre a economia e passaram a incluir críticas ao regime islâmico.
Manifestantes clamam pelo fim da atual estrutura de poder e há até registros de defesa até mesmo da restauração da monarquia, derrubada pelo Aiatolá Khomeini em 1979.
A resposta das autoridades à crescente mobilização tem sido marcada por repressão violenta.
Organizações de direitos humanos relatam que pelo menos 16 pessoas morreram, 33 ficaram feridas e mais de 582 foram detidas desde o início das manifestações.
Autoridades iranianas atribuíram as mortes e confrontos a “elementos violentos” e supostos ataques contra instalações policiais.
Trump declarou que está acompanhando a situação no país e pode agir se mais manifestantes morrerem:
“Estamos acompanhando de perto. Se eles começarem a matar pessoas como fizeram no passado, acho que serão duramente atingidos pelos Estados Unidos”.
O presidente americano já havia dito anteriormente que está disposto a ajudar os manifestantes e que seu país está “pronto para agir” caso houvesse mais violência.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também disse ser solidário à “luta do povo iraniano”.
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O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reconheceu a insatisfação da população e admitiu que a culpa é de seu governo e não de forças estrangeiras:
"As pessoas estão insatisfeitas; a culpa é nossa. A culpa é sua. Não culpem os Estados Unidos; não culpem outra pessoa. Somos nós que devemos servir, e eles devem estar satisfeitos conosco".
Ele seguiu afirmando que é responsabilidade do governo iraniano garantir a qualidade de vida para a população do país:
"Somos nós que devemos administrar nossos recursos adequadamente. Somos nós que devemos encontrar uma solução para o problema. Somos nós que devemos nos esforçar e encontrar soluções para esses problemas".
O presidente substituiu o chefe do Banco Central e prometeu que vai dialogar com representantes dos manifestantes.
Durante uma entrevista para a televisão estatal, a porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, anunciou uma medida para “reduzir a pressão econômica sobre a população”.
“As pessoas poderão receber um valor equivalente a 1 milhão de tomans (cerca de R$40) por mês, que será creditado em suas contas por um período de quatro meses”.
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