País construiu uma rede de grupos armados ao redor do Oriente Médio desde a década de 1980 que conta com agentes infiltrados também nos EUA e Europa.

Autoridades americanas entraram em alerta máximo para ataques terroristas no país logo após o início dos ataques contra o Irã.
Esse medo não é infundado, já que a Guarda Revolucionária iraniana transmitiu uma mensagem na televisão estatal com ameaças diretas:
“O inimigo deve saber que seus dias de tranquilidade acabaram e que eles não estarão mais seguros em nenhum lugar do mundo, nem mesmo em suas próprias casas.”
O Irã apoia diversos grupos terroristas ao redor do mundo, muitas dessas organizações chegaram a ter membros e simpatizantes infiltrados no mundo ocidental.
Essa relação tem motivado a ação de Israel no sul do Líbano em resposta a ações do Hezbollah.
O partido político xiita tem laços ideológicos profundos com o regime iraniano, mas seu apoio vai além da visão de mundo.
O Irã financia, arma e treina o Hezbollah há décadas. Segundo um levantamento de 2023 feito pelo Congresso americano, o país enviou mais de R$104 bilhões para o grupo desde 2012.
O grupo tem laços para além do Oriente Médio, incluíndo no Brasil. O governo americano chegou a oferecer uma recompensa superior a R$50 milhões por informações sobre o braço financeiro que atua na tríplice fronteira Sul.
O Hezbollah é apenas uma das organizações que compõem o que o Irã chama de Eixo da Resistência, uma rede de milícias espalhadas pelo Oriente Médio.
Além do Hezbollah no Líbano, fazem parte dessa rede o Hamas e a Jihad Islâmica Palestina na Faixa de Gaza, milícias xiitas no Iraque e os rebeldes Houthi no Iêmen.
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O financiamento de organizações armadas consideradas terroristas por diversos países faz parte de uma estratégia conhecida como guerra por procuração.
O conceito descreve uma situação em que dois países rivais escolhem não se enfrentar diretamente com seus exércitos.
Em vez disso, apoiam grupos e outros países, conhecidos como proxies, para combaterem em seu lugar.
Com isso, o país evita uma guerra direta e pode negar o envolvimento com ações militares contra seus países rivais.
Essa não é uma estratégia utilizada apenas pelo Irã, grandes potências, como os EUA e a Rússia também se enfrentam dessa forma.
Um dos momentos da história em que a guerra por procuração se tornou mais utilizada foi durante a Guerra Fria.
No entanto, existe um problema nessa estratégia, já que esses grupos também têm seus interesses próprios e acabam não ficando completamente sob controle. É o que explica o professor Joe Young, da American University:
"A desvantagem é que esses grupos têm seus próprios interesses, que o Irã não controla completamente. Mas é um preço que Teerã está disposto a pagar para manter os conflitos com os EUA e a Arábia Saudita longe de uma guerra total".
O Eixo da Resistência começou a ser construído na década de 1980, durante a Guerra Civil do Líbano.
Em 1978, Israel invadiu o Sul do país para combater guerrilheiros da OLP. Após a Revolução Islâmica, o regime do Irã começou a apoiar milícias xiitas da região que combatiam a ocupação.
Com treinamento da Guarda Revolucionária Iraniana e apoio do governo sírio, esses grupos se transformaram no Hezbollah em 1982.
Desde então, a organização se tornou um dos aliados mais poderosos e importantes do governo iraniano no exterior.
Em 2003 o governo de George W. Bush invadiu o Iraque de Saddam Hussein e derrubou a ditadura laica do partido Baath, que dominava o país com punho de ferro por mais de 35 anos.
O fim do regime abriu espaço para que muitos grupos terroristas e milícias se espalhassem pelo país.
Muitos desses grupos são formados por iraquianos xiitas, que representam mais de 60% da população.
O grupo de operações internacionais da Guarda Revolucionária Iraniana, as Forças Quds, passou a coordenar, apoiar e financiar esses grupos armados ao redor do país.
Outra aliança importante para o regime de Teerã ganhou força em 2014, quando rebeldes da tribo Houti tomaram a capital do Iêmen, Sanaa.
O país já estava desestabilizado pelos protestos da Primavera Árabe, que derrubaram o presidente Ali Abdullah Saleh, no poder desde 1978.
Os rebeldes Houthi se tornaram aliados estratégicos do Irã por conta de sua posição estratégica no estreito de Bab el-Mandeb, rota crucial para o comércio global pelo Mar Vermelho.
O grupo coordena ações militares contra embarcações comerciais como forma de atacar inimigos do Irã, como aconteceu em 2023 após os ataques do Hamas contra Israel.
Diferentemente dos outros grupos mencionados acima, o Hamas não segue a mesma religião do regime iraniano, mas defende o islã sunita.
Apesar da diferença, o grupo recebe apoio da República Islâmica desde sua fundação na década de 1990 já que enfrenta Israel e os interesses americanos
Os dois se afastaram em 2012, após o grupo terrorista apoiar a primavera árabe contra a ditadura de Bashar al-Assad na Síria, um importante aliado iraniano apesar de defender um Estado laico.
Nessa época, o Irã cortou recursos do Hamas e os enviou para a Jihad Islâmica Palestina, outro grupo terrorista que combate Israel nos territórios palestinos.
A relação só voltou em 2017, quando a liderança do Hamas iniciou um processo de reaproximação com Teerã.
Segundo uma reportagem do Wall Street Journal, o Irã chegou a dar autorização para o ataque do Hamas em outubro de 2023, que deu início à guerra na Faixa de Gaza.
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