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Descubra como o Irã usa o terrorismo como arma na geopolítica

País construiu uma rede de grupos armados ao redor do Oriente Médio desde a década de 1980 que conta com agentes infiltrados também nos EUA e Europa.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
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Autoridades americanas entraram em alerta máximo para ataques terroristas no país logo após o início dos ataques contra o Irã.

Esse medo não é infundado, já que a Guarda Revolucionária iraniana transmitiu uma mensagem na televisão estatal com ameaças diretas:

O inimigo deve saber que seus dias de tranquilidade acabaram e que eles não estarão mais seguros em nenhum lugar do mundo, nem mesmo em suas próprias casas.”

O Irã apoia diversos grupos terroristas ao redor do mundo, muitas dessas organizações chegaram a ter membros e simpatizantes infiltrados no mundo ocidental.

Essa relação tem motivado a ação de Israel no sul do Líbano em resposta a ações do Hezbollah

O partido político xiita tem laços ideológicos profundos com o regime iraniano, mas seu apoio vai além da visão de mundo. 

O Irã financia, arma e treina o Hezbollah há décadas. Segundo um levantamento de 2023 feito pelo Congresso americano, o país enviou mais de R$104 bilhões para o grupo desde 2012.

O grupo tem laços para além do Oriente Médio, incluíndo no Brasil. O governo americano chegou a oferecer uma recompensa superior a R$50 milhões por informações sobre o braço financeiro que atua na tríplice fronteira Sul. 

O Hezbollah é apenas uma das organizações que compõem o que o Irã chama de Eixo da Resistência, uma rede de milícias espalhadas pelo Oriente Médio. 

Além do Hezbollah no Líbano, fazem parte dessa rede o Hamas e a Jihad Islâmica Palestina na Faixa de Gaza, milícias xiitas no Iraque e os rebeldes Houthi no Iêmen.

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Guerra por procuração: entenda a estratégia do Irã

O financiamento de organizações armadas consideradas terroristas por diversos países faz parte de uma estratégia conhecida como guerra por procuração

O conceito descreve uma situação em que dois países rivais escolhem não se enfrentar diretamente com seus exércitos

Em vez disso, apoiam grupos e outros países, conhecidos como proxies, para combaterem em seu lugar.

Com isso, o país evita uma guerra direta e pode negar o envolvimento com ações militares contra seus países rivais.

Essa não é uma estratégia utilizada apenas pelo Irã, grandes potências, como os EUA e a Rússia também se enfrentam dessa forma.

Um dos momentos da história em que a guerra por procuração se tornou mais utilizada foi durante a Guerra Fria.

No entanto, existe um problema nessa estratégia, já que esses grupos também têm seus interesses próprios e acabam não ficando completamente sob controle. É o que explica o professor Joe Young, da American University:

"A desvantagem é que esses grupos têm seus próprios interesses, que o Irã não controla completamente. Mas é um preço que Teerã está disposto a pagar para manter os conflitos com os EUA e a Arábia Saudita longe de uma guerra total".

Como o Eixo foi construído

O Eixo da Resistência começou a ser construído na década de 1980, durante a Guerra Civil do Líbano

Em 1978, Israel invadiu o Sul do país para combater guerrilheiros da OLP. Após a Revolução Islâmica, o regime do Irã começou a apoiar milícias xiitas da região que combatiam a ocupação.

Com treinamento da Guarda Revolucionária Iraniana e apoio do governo sírio, esses grupos se transformaram no Hezbollah em 1982.

Desde então, a organização se tornou um dos aliados mais poderosos e importantes do governo iraniano no exterior.

Invasão americana no Iraque ajudou a aumentar o poder do Irã

Em 2003 o governo de George W. Bush invadiu o Iraque de Saddam Hussein e derrubou a ditadura laica do partido Baath, que dominava o país com punho de ferro por mais de 35 anos. 

O fim do regime abriu espaço para que muitos grupos terroristas e milícias se espalhassem pelo país.

Muitos desses grupos são formados por iraquianos xiitas, que representam mais de 60% da população.

O grupo de operações internacionais da Guarda Revolucionária Iraniana, as Forças Quds, passou a coordenar, apoiar e financiar esses grupos armados ao redor do país.

Guerra civil no Iêmen criou mais um aliado para o irã

Outra aliança importante para o regime de Teerã ganhou força em 2014, quando rebeldes da tribo Houti tomaram a capital do Iêmen, Sanaa.

O país já estava desestabilizado pelos protestos da Primavera Árabe, que derrubaram o presidente Ali Abdullah Saleh, no poder desde 1978.

Os rebeldes Houthi se tornaram aliados estratégicos do Irã por conta de sua posição estratégica no estreito de Bab el-Mandeb, rota crucial para o comércio global pelo Mar Vermelho. 

O grupo coordena ações militares contra embarcações comerciais como forma de atacar inimigos do Irã, como aconteceu em 2023 após os ataques do Hamas contra Israel.

Hamas: uma relação conturbada

Diferentemente dos outros grupos mencionados acima, o Hamas não segue a mesma religião do regime iraniano, mas defende o islã sunita.

Apesar da diferença, o grupo recebe apoio da República Islâmica desde sua fundação na década de 1990 já que enfrenta Israel e os interesses americanos

Os dois se afastaram em 2012, após o grupo terrorista apoiar a primavera árabe contra a ditadura de Bashar al-Assad na Síria, um importante aliado iraniano apesar de defender um Estado laico.

Nessa época, o Irã cortou recursos do Hamas e os enviou para a Jihad Islâmica Palestina, outro grupo terrorista que combate Israel nos territórios palestinos.

A relação só voltou em 2017, quando a liderança do Hamas iniciou um processo de reaproximação com Teerã.

Segundo uma reportagem do Wall Street Journal, o Irã chegou a dar autorização para o ataque do Hamas em outubro de 2023, que deu início à guerra na Faixa de Gaza.

A Brasil Paralelo levou suas câmeras para o Oriente Médio e investigou a guerra entre Israel e Palestina e os alertas que ela traz para o ocidente. Assista completo abaixo:

Entenda o que está acontecendo no Oriente Médio

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A análise estuda como a Pérsia de Ciro, o Grande, uma das nações mais abertas do mundo, foi tomada pelo radicalismo islâmico.

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