Cliente gravou vídeo mostrando que o sistema do banco não permitia a alteração e a Justiça aceitou seu argumento.

O Banco Santander foi condenado a pagar R$1 milhão após manter o nome original de uma cliente transgênero nas transações via Pix, mesmo depois que ela havia atualizado seus documentos oficiais.
O problema começou quando a cliente mudou de sexo e solicitou ao banco a atualização de seus dados cadastrais. O objetivo era garantir que seu nome atual aparecesse nas chaves Pix. O banco não fez a alteração.
Cada vez que realizava uma transferência, o nome anterior à transição aparecia para os beneficiados.
O banco alegou que a mudança era responsabilidade do cliente, que poderia fazê-lo pelo aplicativo. Ela gravou um vídeo mostrando que o sistema não permitia a alteração. O vídeo foi anexado ao processo.
Gostaria de receber as principais notícias do dia diretamente em seu E-mail, todos os dias e de graça? Assine o Resumo BP, a newsletter de jornalismo da Brasil Paralelo. Clique aqui e aproveite.
Em primeira instância, o juiz determinou que o banco fizesse a alteração imediatamente. O Santander não cumpriu. A multa subiu para R$5 milhões. O banco recorreu dizendo que o valor era exagerado.
O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a condenação, mas reduziu o valor para R$1 milhão.
Para o relator, desembargador Jairo Brazil, a falha não foi só técnica.
"Não é razoável que a autora continue a receber os serviços do banco em seu nome morto".
A decisão se baseou em regras do Banco Central, que determinam que é responsabilidade das instituições financeiras manter os dados cadastrais de seus clientes atualizados, não do cliente.
O banco também pediu para cancelar a chave Pix e criar uma nova com o nome correto. O pedido foi negado. O Santander até agora não se pronunciou.
Como um veículo independente, não aceitamos dinheiro público. O que financia nossa estrutura são as assinaturas de cada pessoa que acredita em nossa causa.
Quanto mais pessoas tivermos conosco nesta missão, mais longe iremos. Por isso, agradecemos o apoio de todos.
Seja também um membro da Brasil Paralelo e nos ajude a expandir nosso jornalismo.