País alega que países desenvolvidos devem arcar com o financiamento climático global.

O governo chinês decidiu não enviar recursos ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), principal proposta do Brasil na Cúpula de Líderes da COP30.
A postura do país vai contra a estratégia brasileira de ampliar o financiamento internacional da preservação ambiental.
Segundo autoridades chinesas, os principais financiadores de mecanismos multilaterais de proteção ambiental deveriam ser países desenvolvidos e não economias em desenvolvimento.
O argumento se baseia no princípio das "responsabilidades comuns, porém diferenciadas", consagrado em acordos internacionais desde a Rio-92.
De acordo com esse conceito, as nações que mais poluíram no passado devem liderar os esforços atuais de compensação climática.
A decisão da China de não participar financeiramente do fundo segue o padrão adotado em outras iniciativas internacionais.
Apesar de ser o maior emissor global de gases do efeito estufa, o país também se recusou a contribuir com o Fundo Verde para o Clima, mecanismo criado para apoiar metas ambientais de países em desenvolvimento.
A recusa de países estratégicos deixa o Brasil diante do desafio de atrair novos investidores.
Além da China, outros países importantes como Estados Unidos, Reino Unido e Espanha, confirmaram que não farão nenhum aporte ao fundo.
A Alemanha prometeu uma contribuição "considerável", mas ainda sem valores ou prazos definidos.
Até agora, o fundo arrecadou cerca de US$5,6 bilhões (R$29,5), valor ainda distante dos US$125 bilhões (R$660 bilhões) previstos como capital total.
Apesar de não se comprometer financeiramente, a China está entre os 53 países que assinaram a declaração de apoio ao fundo.
Internamente, membros do governo Lula ainda se dizem otimistas e afirmam que Pequim deu bons sinais durante reuniões bilaterais.
No entanto, o fundo encontra dificuldades para converter esse apoio diplomático em investimentos concretos.
Lançado oficialmente no dia 6 de novembro, o TFFF foi criado para recompensar financeiramente os países que preservam florestas tropicais.
A proposta prevê o pagamento de R$21,12 por hectare de floresta protegida, mas esse mecanismo só será ativado quando o fundo estiver completamente capitalizado.
O Banco Mundial atuará como gestor inicial da estrutura, que ainda prevê repasse mínimo de 20% dos recursos para povos indígenas e comunidades locais.
A expectativa era alcançar R$52,8 bilhões em aportes até o próximo ano. Países como Japão, Holanda e Canadá ainda não formalizaram contribuições.
Nenhum banco multilateral confirmou apoio até agora, embora o Banco Europeu de Investimento esteja em conversas com a Comissão Europeia sobre o tema.
O governo brasileiro também tenta ampliar o engajamento do setor privado. Até o momento, apenas a Fundação Minderoo, do bilionário australiano Andrew Forrest, anunciou um aporte de US$10 milhões.
Entenda os interesses por trás da COP30 com a trilogia da Brasil Paralelo em parceria com Leandro Narloch. Assista ao primeiro episódio completo abaixo:
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