Gilmar Mendes afirmou que a CPI não tem base legal e extrapola suas atribuições. Flávio Dino classificou como um “grave equívoco histórico”.

Pela primeira vez na história do Congresso Nacional, o relatório final de uma Comissão Parlamentar de Inquérito apresentou um pedido de indiciamento contra ministros do STF.
O relatório final da CPI do Crime Organizado, votado nesta terça-feira (14), solicita o indiciamento por crimes de responsabilidade dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República Paulo Gonet.
O documento também recomenda a abertura de processo de impeachment contra os quatro.
A lei enquadra nesse tipo de crime, condutas como julgar causa na qual o ministro seja suspeito, agir de forma incompatível com a dignidade do cargo ou ser negligente no cumprimento das funções. Isso pode levar ao impeachment e à perda do cargo.
O ministro Gilmar Mendes respondeu ao pedido de indiciamento afirmando que a CPI não tem base legal e extrapola as atribuições das comissões parlamentares de inquérito.
Já o ministro Flávio Dino declarou que considerar a Corte como o principal problema do país constitui um “grave equívoco histórico”.
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No que tange ao ministro Dias Toffoli, o texto do relatório sustenta que ele teria atuado em processos nos quais deveria se declarar impedido.
Sobre o ministro Alexandre de Moraes, os parlamentares alegam a existência de conflitos em relações financeiras entre uma empresa investigada e o escritório de sua esposa.
Já o ministro Gilmar Mendes teve sua conduta questionada no documento em razão de decisões que suspenderam medidas da comissão.
O relatório dedica um capítulo à atuação do Supremo durante os trabalhos da CPI. Segundo o texto, investigados recorreram "massivamente" ao STF para barrar medidas da comissão. Convocações viraram convites.
Depoimentos deixaram de acontecer. Diligências foram interrompidas. Entre os casos citados estão as decisões que desobrigaram os depoimentos de Daniel Vorcaro e do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto.
O documento mapeia 90 organizações criminosas no Brasil, presentes em 24 estados. Pelo menos 28,5 milhões de brasileiros vivem em áreas com presença do crime organizado. Em 2024, foram mais de 44 mil mortes violentas intencionais.
O relatório também defende intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro e propõe a criação de um Ministério da Segurança Pública.
Se aprovado, o relatório segue para o Senado Federal. A abertura do processo de impeachment depende do presidente da Casa, enquanto Davi Alcolumbre, que tem dado sinais de cautela e resistência quanto ao avanço célere dessas medidas.
Os pedidos de indiciamento seguirão para a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, que decidirão se abrem investigação.
A realidade do crime organizado levou a Brasil Paralelo a realizar a maior investigação já feita sobre segurança pública no país.
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