Relatório pede indiciamento inédito de três ministros do STF e do procurador-geral.

O crime organizado no Brasil chegou aos mais altos níveis do poder. É o que conclui o relatório final da CPI do Crime Organizado, votado nesta terça-feira (14).
De acordo com o documento, as facções operam hoje em conjunto com o mercado financeiro e têm proteção dentro do próprio Estado.
No centro dessa conclusão está o caso do Banco Master. A instituição é descrita no relatório da comissão como peça central de uma suposta conexão entre o setor financeiro e organizações criminosas.
Segundo a tese sustentada pelos parlamentares no documento, Daniel Vorcaro teria estabelecido relações em tribunais superiores por meio de patrocínios e contratos de advocacia, visando, conforme alega a CPI, garantir a proteção de interesses do grupo.
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O relatório dedica um capítulo à atuação do Supremo durante os trabalhos da comissão. De acordo com o texto, investigados recorreram ao STF para barrar medidas aprovadas pelo colegiado.
Convocações viraram convites. Depoimentos deixaram de acontecer. Dados foram destruídos por ordem judicial.
O caso mais emblemático envolve o ministro Gilmar Mendes. Quando a CPI aprovou a quebra de sigilo de uma empresa ligada ao ministro Toffoli, advogados inseriram o pedido de anulação dentro de um processo arquivado sem qualquer relação com o caso.
O documento acusa o magistrado de promover o que classifica como 'blindagem sucessiva' de entes ligados à cadeia negocial mencionada, impossibilitando, na visão da CPI, o acesso aos dados financeiros.
Gilmar desarquivou o processo, acolheu o pedido e ordenou a destruição dos dados já enviados à comissão.
O ministro respondeu ao pedido de indiciamento afirmando que a CPI não tem base legal e extrapola as atribuições das comissões parlamentares de inquérito.
Já o ministro Flávio Dino declarou que considerar a Corte como o principal problema do país constitui um “grave equívoco histórico”.
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Diante desse cenário, a CPI pediu o indiciamento por crimes de responsabilidade dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral Paulo Gonet.
É a primeira vez na história do Congresso que uma CPI faz esse tipo de pedido.
O documento agora segue para o Senado Federal. A abertura do processo de impeachment depende do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que já sinalizou que não tomará as medidas
As defesas das empresas e pessoas citadas no relatório, assim como a assessoria do Supremo Tribunal Federal, têm reiterado que as decisões judiciais mencionadas são fundamentadas na Constituição e que as acusações da comissão carecem de provas materiais, classificando-as como manifestações de natureza política.
A realidade do crime organizado levou a Brasil Paralelo a realizar a maior investigação já feita sobre segurança pública no país.
O documentário revela como as facções cresceram, como operam dentro e fora das prisões e o impacto direto dessa guerra na vida dos brasileiros.
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