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Universidade faz pedido oficial de desculpas após discurso polêmico de professor em formatura

Professor elogiou alunos envolvidos em protesto pró-palestina que foram acusados de violência e antissemitismo.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Professor durante o discurso polêmico de formatura
Fonte da imagem: Reprodução

A Universidade do Michigan fez um pedido de desculpas formal por causa do discurso de um professor durante um evento de formatura em frente a toda a universidade. 

Durante sua fala, o professor de história africana Derek R. Peterson, defendeu os protestos estudantis pró-palestina que tomaram as universidades americanas: 

"Os estudantes ativistas pró-Palestina que, ao longo destes últimos dois anos, abriram nossos corações para a injustiça e a desumanidade da guerra de Israel em Gaza". 

Os alunos que participaram do movimento ocuparam instituições e foram acusados de violência contra opositores e antissemitismo

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Ele seguiu falando que os alunos devem lembrar dos primeiros negros, das primeiras mulheres e do primeiro professor judeu da universidade quando cantassem o hino da instituição.

Assista abaixo à fala do professor em um vídeo que ele divulgou em sua conta pessoal no Youtube:

Veja as reações à fala

O presidente da universidade, Domenico Grasso, emitiu um pedido oficial de desculpas no mesmo dia.

Na nota, ele disse que lamenta o posicionamento do professor e afirmou que a fala “se desviou das observações que ele havia compartilhado antes da cerimônia”.

As desculpas não foram suficientes para impedir que políticos republicanos pedissem um corte nas verbas federais da universidade.

Além disso, um membro do conselho de regentes da instituição pediu a abertura de um processo disciplinar contra o professor.

Universidade anunciou fim de política woke em 2024

Após votação da mesa-diretora em dezembro de 2024, a Universidade de Michigan decidiu que vai acabar com a política de contratação baseada na diversidade.

Para que uma pessoa pudesse trabalhar na instituição, era necessário que fizesse uma declaração sobre como seu trabalho poderia ser útil para promover diversidade na instituição.

Os críticos desse tipo de medida argumentam que ela é uma forma de burlar as leis estaduais que proíbem a exclusão de candidatos por critério de raça, impedindo as universidades de criarem vagas específicas para negros.

Um pesquisador do Instituto Manhattan chamado John D. Sailer que escreveu sobre o assunto comentou a decisão da Universidade de Michigan para o New York Times:

A Universidade de Michigan defendeu as declarações de diversidade, mas agora, representará um marco no movimento para reverter essa prática equivocada, uma vitória clara para a liberdade acadêmica

Alguns professores da instituição não gostaram da decisão e acusam a direção de interfirir em assuntos que devem ser definidos pelos departamentos.

Espiral do silêncio

As declarações de diversidade são parte de um fenômeno conhecido como espiral do silêncio na Universidade.

De acordo com a pesquisadora especializada em opinião pública, Noelle-Neumann, as pessoas tendem a descobrir qual a visão dominante em um determinado ambiente e a reproduzem para evitar confrontos.

O pensamento hegemônico em um determinado lugar não é necessariamente aquele compartilhado pela maioria das pessoas, mas o com maior repercussão.

Em muitos casos, a maioria das pessoas podem até pensar de forma diferente, mas escondem suas visões, pois acreditam que são minoria.

A espiral do silêncio dentro das universidades é um dos temas do documentário original Unitopia.

A Brasil Paralelo levou suas câmeras para as instituições de ensino mais famosas do Brasil para ver a real situação do ensino. Assista ao primeiro episódio abaixo:

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