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Empresário fecha primeira delação sobre escândalo do INSS

Acordo envolve peça central do núcleo financeiro do esquema que desviou bilhões de aposentados.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Maurício Camisotti
Fonte da imagem: Reprodução

Desde que foi preso, em setembro do ano passado, Maurício Camisotti já sinalizava que queria colaborar com as investigações. Agora, o acordo foi formalizado.

O empresário fechou com a Polícia Federal o primeiro acordo de delação premiada da Operação Sem Desconto, que investiga o esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS.

O documento já foi encaminhado ao ministro André Mendonça, responsável pela análise e eventual homologação. Se aprovado, Camisotti pode ter a prisão preventiva convertida em prisão domiciliar.

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Quem é Maurício Camisotti?

A Polícia Federal descreve Camisotti como beneficiário e personagem crucial do núcleo financeiro do esquema. De acordo com as investigações, ele era sócio oculto de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o Careca do INSS.

Juntos, obtinham recursos ilícitos por meio de descontos em mensalidades associativas de aposentados que não tinham conhecimento das subtrações em seus rendimentos.

Relatórios do Coaf apontam movimentações suspeitas de R$59,9 milhões pagos à Rede Mais Saúde, administrada por Paulo Camisotti, filho de Maurício.

Os documentos também indicam o repasse de R$16,1 milhões à Prospect Consultoria Empresarial, empresa do Careca do INSS.

Camisotti e Antunes estão presos desde 12 de setembro, após decisão validada pela Segunda Turma do STF. A prisão foi decretada sob o argumento de que ambos tentavam frustrar as investigações.

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Outras delações estão em curso

Além da de Camisotti, outras duas delações ligadas ao caso estão sendo negociadas.

A primeira é a do procurador federal Virgílio Oliveira Filho, preso desde novembro do ano passado. A segunda é a de André Fidelis, ex-diretor de benefícios do INSS até julho de 2024.

Fidelis foi exonerado do cargo após reportagens do portal Metrópoles exporem os esquemas irregulares.

Era ele quem assinava as parcerias com associações e sindicatos para que oferecessem serviços a aposentados, em troca dos quais os descontos eram aplicados.

O resultado foi um aumento no número de filiados e no faturamento da Conafer, entidade que chegou a firmar um Termo de Ajustamento de Conduta com o INSS para aprovar os descontos.

O caso tem outros desdobramentos. O Careca do INSS financiou uma viagem a Portugal em 2024 para Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.

Lulinha admite a viagem, mas nega qualquer relacionamento com o operador do esquema ou envolvimento no escândalo.

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