Segundo a defesa, filho do presidente não conhece os delatores e nem tem qualquer ligação com o escândalo.

Novas delações premiadas podem causar problemas para Fábio Luís Lula da Silva, o filho do presidente conhecido como Lulinha.
Dois ex-integrantes do alto escalão do INSS estão em processo avançado para fechar um acordo de delação premiada.
Segundo apuração divulgada pelo Metrópoles, ambos citaram Lulinha e outros políticos enquanto falavam sobre o escândalo do INSS.
Os dois estão presos desde 13 de novembro. A colaboração ainda não foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal.
Segundo o portal Metrópoles, o ex-procurador do INSS, Virgílio Oliveira Filho, e o ex-diretor de Benefícios da autarquia, André Fidelis, entregaram informações sobre o filho do presidente e políticos.
O próprio Careca do INSS, o advogado Antônio Carlos Camilo Antunes, também estaria preparando uma delação de acordo com o jornal.
A relação entre Lulinha e o Careca do INSS já é alvo de investigação desde o final do ano passado.
Em dezembro, o portal Poder 360 recebeu informações de parlamentares que estariam envolvidos nas investigações.
Eles contaram que Edson Claro, ex-funcionário do “Careca do INSS”, afirmou à Polícia Federal que o Lulinha teria recebido mesadas de cerca de R$300 mil.
O depoimento também menciona que os repasses poderiam somar até R$25 milhões ao todo.
As autoridades investigam a relação entre o filho do presidente e o lobista, mas acredita-se que possa estar ligada à empresa World Cannabis.
Os dois também teriam participado de viagens nacionais e internacionais compartilhadas, para destinos como Lisboa e Brasília.
Com sede em Brasília, o empreendimento vende medicamentos legais à base de maconha e atua no Brasil, em Portugal, nos Estados Unidos e na Colômbia.
A Polícia Federal suspeita que a World Cannabisteria sido utilizada pelo careca para lavar dinheiro desviado dos aposentados e pensionistas.
Em nota, a defesa de Fábio Luís destacou que o Metrópoles não trouxe nenhum detalhe sobre qual seria o teor da delação e que ela acontece sob sigilo.
Os advogados também afirmaram que seu cliente não tem e nunca teve qualquer contato com as pessoas que estariam fazendo a delação e não tem nenhum envolvimento com o esquema do INSS.
Além disso, informaram que entraram com uma ação no STF para pedir acesso às investigações e afirmaram estar dispostos a cooperar com a Corte.
Leia a nota completa assinada pelo advogado Guilherme Suguimori Santos:
“Recebemos com surpresa a matéria veiculada no Metrópoles afirmando que um ex-procurador e um ex-diretor do INSS teriam fechado acordo de delação premiada delatando ‘Fábio Luís Lula da Silva e políticos do centrão’. A matéria não informa nenhum dado concreto sobre o que seria delatado e qual a suposta e alegada participação de Fábio, o que impede qualquer esclarecimento além do fato de que Fábio Luís não conhece esses indivíduos e jamais teve com eles qualquer tipo de relação, financeira, pessoal ou profissional. Fábio não tem relação com as fraudes do INSS, não participou de fraudes ou desvios e não recebeu valores dessa fonte criminosa.
As negociações de acordos de delação são sigilosas por previsão legal e jurisprudencial, tornando inverificável a sua existência – factóide que foi negado pela defesa de um dos supostos delatores – e a confirmação de seu conteúdo, que foi meramente mencionado sem apresentação de fatos ou detalhes. A publicação desse dado vazio na véspera de sessão da CPMI que notoriamente vem discutindo medidas relativas a Fábio Luís naquele procedimento será fatalmente utilizada para fins políticos antes de sua confirmação, escancarando a irresponsabilidade de setores com interesses específicos e políticos.
Lamentamos que mais uma vez o nome de Fábio Luís Lula da Silva esteja sendo utilizado indevidamente com interesses escusos, em mais uma tentativa de atingir indiretamente o governo. Todas as afirmações levianas do passado se comprovaram falsas, o que acontecerá também neste caso.
Finalmente, reitero que diante da incessante campanha midiática reproduzindo dados parciais e sigilosos de uma investigação em andamento, entendi ser necessário requerer ao STF acesso à investigação, tendo Fábio se colocado à disposição daquele Tribunal para prestar qualquer esclarecimento eventualmente necessário após ter conhecimento do que existe (ou não existe) naqueles autos – acesso esse que ainda não lhe foi concedido, o que impede qualquer outra manifestação atual, uma vez que trabalhamos com fatos e provas, não com o combate contra conjecturas inverificáveis."
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