Instituições na categoria contam com 89,3% de aprovação entre os pais e mais de 90% entre professores.
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Mais de 11,2 mil estudantes aguardam na fila para ingressar em uma escola cívico-militar no Paraná.
As escolas cívico-militares surgiram como programa nacional em 2019, durante o governo Jair Bolsonaro.
A proposta era aplicar o modelo em escolas públicas já existentes, com a participação de militares da reserva em funções administrativas e de apoio à disciplina.
O programa federal foi descontinuado em 2023, no início do governo Lula. Ainda assim, o modelo continuou a se expandir por iniciativa dos estados.
O Paraná começou a adotá-lo em 2021 e hoje é o estado com maior número de escolas cívico-militares do país, com mais de 300 unidades.
Uma pesquisa encomendada pela Secretaria de Educação do Paraná mostra um alto índice de aprovação do modelo.
Segundo o levantamento, 89,3% dos pais e 90,4% dos professores e pedagogos dizem estar satisfeitos com as escolas cívico-militares.
Entre os docentes, a percepção mudou após a experiência prática. Antes de conhecer o modelo, menos da metade era favorável.
Depois, a aprovação subiu para quase 70%. Muitos relatam que conseguem ensinar melhor em um ambiente mais organizado.
O governo estadual afirma que 84% das escolas cívico-militares apresentaram melhora em indicadores educacionais, percentual superior ao das escolas regulares. Também há relatos de redução de conflitos e de maior permanência dos alunos na escola.
Essas escolas não são colégios militares tradicionais. A gestão pedagógica continua sob responsabilidade de civis e da Secretaria de Educação. O modelo atende alunos dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio.
As regras de convivência são mais rígidas e estão descritas em um manual oficial. Há orientações sobre uniforme, corte de cabelo, uso de acessórios e comportamento cotidiano.
Os estudantes também participam de um sistema de créditos, no qual começam o ano com uma pontuação inicial que pode aumentar ou diminuir conforme atitudes positivas ou negativas.
Segundo a Secretaria de Educação, a ideia não é punir, mas estimular os bons hábitos. Alunos que se destacam podem receber elogios formais, certificados e medalhas.
A alta procura está diretamente ligada à percepção de mais disciplina, organização e segurança no ambiente escolar.
Diretores relatam que escolas antes rejeitadas pela comunidade passaram a ser disputadas após a adoção do modelo.
Em Wenceslau Braz, o diretor Rivail Lucas de Oliveira afirma em entrevista à BBC que a demanda por vagas superou a capacidade física da escola.
“O maior desafio antes era trazer confiança aos pais. Com o modelo cívico-militar, há um respaldo maior para manter a disciplina em sala de aula”, diz.
O secretário de Educação do Paraná, Roni Miranda, avalia que a disciplina mais rígida do modelo incentiva os pais a buscarem instituições do tipo:
“Eles procuram alguém que possa fazer a parte disciplinar dos seus filhos. Que consiga trazer aquela educação que, por muitas vezes, por não estarem presentes no dia a dia do filho, não conseguem entregar essa boa educação e disciplina ao filho. A visão é de que o militar é disciplinado e respeita as regras. Tem esse imaginário.”
Ele também destaca que as normas do tipo também facilitam o trabalho dos professores em comparação às escolas comuns:
“O professor que está na cívico-militar não se preocupa com disciplina. Vai chegar na sala de aula e os alunos vão estar sentados e organizados. Saiu uma pesquisa de que professores perdem, em média, 21% do tempo pra organizar a turma e começar a dar a aula. Na cívico-militar eles já encontram a turma organizada.”
Historicamente, as Forças Armadas são as instituições que mais contam com a confiança do povo brasileiro.
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