Tanto seres humanos quanto chimpanzés usam os toques nos rostos para aprender a interagir.

Antes de aprender a falar, o ser humano já se comunica através de sons, expressões e gestos que formam uma linguagem silenciosa. Entre eles, o toque ocupa um lugar central.
Um estudo recente publicado na revista Animal Cognition investigou como os bebês humanos e chimpanzés usam o toque como forma de interação social desde o início da vida.
Os resultados ajudam a responder uma pergunta essencial e entender quando começa a nossa capacidade de nos relacionar.
Os pesquisadores observaram bebês com cerca de um ano de idade, sem interferência, apenas registrando o cotidiano.
Ao todo, foram 36 horas de observação. Nesse período, eles tocaram em seus familiares mais de 269, sendo 222 toques no rosto e 47 na cabeça.
A diferença não parece casual, já que o rosto é uma das regiões mais expressivas do corpo.
É lá que emoções, intenções e sinais sociais aparecem com clareza e o fato de os bebês preferirem tocar nessa área sugere que já reconhecem sua importância.
O estudo também indica que esses toques não são aleatórios e aparecem, quase sempre, em contextos positivos, como brincadeiras ou momentos de cuidado.
Para os bebês, parece se tratar de gestos associados à aproximação e à construção de vínculos.
O toque também acontece durante situações de “atenção conjunta”, quando o bebê e outra pessoa estão focados em algo em comum. Isso significa que se trata de um sinal claro de conexão.
Outro ponto observado foi a preferência dos bebês por tocar o rosto de mulheres, geralmente suas mães.
Esse dado reforça a importância do vínculo inicial entre a figura materna e a criança no desenvolvimento social.
É nesse espaço de proximidade que surgem os primeiros sinais de confiança, atenção compartilhada e cooperação, que acompanham o indivíduo ao longo da vida.
Outra descoberta do estudo desafia a ideia de que bebês apenas recebem estímulos e deixa claro que eles também começam interações.
Ao tocar o rosto de outra pessoa, o bebê está participando ativamente da relação, marcando presença, criando vínculo e reforçando o engajamento.
Esse comportamento aparece tanto em humanos quanto em chimpanzés, o que sugere raízes evolutivas profundas.