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Estupro coletivo no RJ expõe aumento alarmante de crimes sexuais cometidos por menores de idade

O número de jovens envolvidos em casos desse tipo cresceu 93% no estado em quatro anos.

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Redação Brasil Paralelo
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Fonte da imagem: Homem preso no RJ usa camisa com "não me arrependo de nada" • Reprodução/CNN

Uma adolescente ferida olha para a mãe e repete, entre lágrimas: “me desculpe, eu não queria te envergonhar”.

A mãe tentava convencê-la do óbvio: a culpa não era dela.

A jovem havia sido vítima de uma violência sexual realizada por um grupo de jovens. Depois que o caso veio à tona, outras duas jovens procuraram a polícia para relatar episódios semelhantes envolvendo os investigados.

Nos depoimentos reunidos pela investigação, as vítimas relatam agressões físicas, humilhação e violência sexual.

Eles agiam da seguinte forma: um dos jovens atraía a vítima com a promessa de um encontro. Ao chegar ao local, geralmente um apartamento, a adolescente era cercada por outros rapazes e obrigada a manter relações sexuais contra a própria vontade.

Os investigadores ainda estão ouvindo testemunhas e pediram à Justiça autorização para acessar celulares e mensagens dos suspeitos, em busca de novas provas.

Segundo dados obtidos pela Folha de S.Paulo, o número de menores de 18 anos apontados como autores em ocorrências relacionadas a crimes sexuais aumentou 93% no estado do Rio de Janeiro entre 2021 e 2025.

Quem são os investigados?

Quatro jovens se tornaram réus na Justiça pelo crime ocorrido em Copacabana:

  • Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18 anos.

  • Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18 anos.

  • João Gabriel Xavier Bertho, 19 anos.

  • Mattheus Veríssimo Zoel Martins, 19 anos.

Além deles, um adolescente também foi apreendido, investigado por ato infracional análogo ao crime de estupro. 

Por ser menor de idade, sua identidade não foi divulgada. Ele está internado em uma unidade do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase).

Caso semelhante teria ocorrido em 2023

Um dos novos episódios investigados teria ocorrido em agosto de 2023, em um apartamento no Maracanã, na Zona Norte do Rio.

Segundo a denúncia registrada na delegacia, Mattheus Veríssimo Zoel Martins e o adolescente apreendido teriam participado de um crime semelhante ao investigado em Copacabana. A vítima tinha 14 anos na época.

O registro na delegacia só foi feito neste mês, após a divulgação do caso de Copacabana.

Denúncia também envolve festa no Humaitá

A polícia também investiga uma denúncia de estupro que teria ocorrido em outubro de 2025, durante uma festa junina organizada por alunos do Colégio Pedro II, no bairro do Humaitá.

Segundo o delegado responsável pelo caso, Vitor Hugo Oliveira Simonin teria levado uma jovem para o segundo andar do local, onde teria ocorrido o crime.

A vítima afirmou que estava beijando o rapaz quando ele tentou forçá-la a praticar sexo oral. Ela disse que conseguiu sair da situação quando um segurança apareceu e voltou para a festa.

Uma amiga da jovem já prestou depoimento como testemunha.

O que acontece quando o suspeito é menor de idade?

No Brasil, adolescentes menores de 18 anos não respondem criminalmente como adultos, mesmo quando são investigados por crimes graves.

Nesses casos, a legislação prevê a aplicação de medidas socioeducativas, que podem incluir internação em unidades especializadas por até três anos, independentemente da gravidade do ato.

O funcionamento desse modelo e suas consequências são tema do documentário “Impunidade: A Maioridade Penal e Suas Vítimas”, da Brasil Paralelo.

A produção investiga como o sistema brasileiro de responsabilização de menores foi construído e apresenta casos, dados e comparações internacionais sobre o tema. Clique no link abaixo para assistir:

Quero assistir ao documentário