Investigação apura subornos milionários para reverter decisão judicial contra estatal do Chile.

As autoridades chilenas prenderam a ex-ministra da Suprema Corte Ángela Vivanco sob acusações de suborno, lavagem de dinheiro e tráfico de influência.
A detenção é considerada inédita no país. ocorreu na noite de domingo (25), em sua residência, na capital chilena.
A prisão foi decretada após decisão judicial que apontou indícios de que Vivanco teria usado o cargo para interferir em processos judiciais e favorecer interesses privados em troca de vantagens indevidas.
A Justiça determinou prisão preventiva, citando risco de obstrução das investigações e a gravidade dos fatos.
Vivanco já havia sido afastada do cargo em outubro do ano passado.
Em 7 de novembro, o marido dela e os advogados também foram formalmente acusados.
Os dois advogados estão presos preventivamente em um centro de detenção destinado a crimes de colarinho branco.
Durante a operação, a polícia apreendeu cerca de R$72,9 milhões em dinheiro vivo, além de aproximadamente R$36,5 mil, guardados em cofres e caixas de papelão, principalmente nos escritórios de Vargas e Lagos.
As acusações contra Ángela Vivanco estão no centro do caso conhecido como “Boneca Bielorrussa”.
Segundo a investigação, a ex-ministra da Suprema Corte teria recebido subornos da empresa Belaz Movitec SpA para interferir em uma disputa judicial com a estatal chilena Codelco.
Os investigadores estimam que os pagamentos tenham chegado a R$297 milhões, repassados por meio do marido da magistrada.
O conflito começou em um tribunal regional, que condenou a empresa a pagar cerca de R$ 104,2 milhões à Codelco por quebra de contrato.
Mais tarde, porém, a Suprema Corte, presidida de forma extraordinária por Vivanco, reverteu a decisão e determinou que a estatal pagasse o mesmo valor à empresa, além de R$ 26,1 milhões adicionais
O caso também envolve o advogado Luis Hermosilla, figura central do chamado Caso dos Áudios, que revelou uma rede de tráfico de influência no país.
Gravações indicam que ele teria articulado a nomeação de Vivanco à Suprema Corte e, depois, sido beneficiado por decisões da magistrada.
A Suprema Corte afirmou que colabora com as investigações, enquanto o Ministério Público analisa mensagens, transações financeiras e depoimentos para identificar outros envolvidos.
Vivanco nega as acusações e afirma que sempre decidiu com independência.
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