O regime iraniao fechou uma rota que levava mais de 20% de todo o petróleo no mundo.

Após uma semana de bombardeios no Oriente Médio, o preço do petróleo chegou ao patamar mais alto desde 2022, quando a guerra na Ucrânia começou. O barril do Brent ultrapassou a marca de US$100 nesta segunda-feira (9), subindo mais de 11%.
O principal motivo é o temor de um choque no abastecimento global de energia, com o Estreito de Ormuz praticamente paralisado desde o início dos ataques.
As estimativas apontam que cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo atravesse essa rota todos os dias.
Em números absolutos, isso significa aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo por dia.
A passagem conecta grandes produtores de energia, como:
Arábia Saudita.
Irã.
Iraque.
Emirados Árabes Unidos.
Kuwait.
Catar.
Esses países dependem do estreito para exportar petróleo e gás para mercados da Ásia, Europa e América do Norte.
Com o estreito fechado ocorre o desabastecimento, o que gera uma baixa na oferta internacional e leva os preços a aumentarem.
Isso torna o preço dos transportes se tornarem mais caros, o que reflete em quase toda a economia.
A disparada do petróleo criou um problema para a Petrobras. A empresa está vendendo diesel com preços 30% abaixo do internacional, a maior defasagem registrada desde 2022.
Em alguns polos de importação, como Paulínia (SP) e Araucária (PR), o preço cobrado pela Petrobras chega a ser quase metade do praticado no exterior.
A associação de importadores de combustíveis (Abicom), para se equiparar aos preços internacionais, a Petrobras deveria elevar o diesel em R$1,51 o litro e a gasolina em R$0,47 o litro.
A empresa está há 304 dias sem reajustar o diesel. A presidente da Petrobras disse no início da semana que a companhia monitora de perto os desdobramentos do conflito e prevê uma semana de observação antes de qualquer decisão sobre reajuste.
Além disso, o Brasil também pode ter suas exportações afetadas, já que 4,8% das exportações brasileiras atravessam o estreito.
Quase 68% dessas cargas eram de proteína animal, principalmente frango. Cerca de 23% de todos os frangos exportados pelo Brasil foram para a região.
Segundo dados de comércio marítimo, no ano passado cerca de 158 mil contêineres saíram do Brasil rumo a esses países.
Entenda melhor a situação no estreito de Ormuz com o especial da Brasil Paralelo. Assista completo abaixo: