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Guerra no Irã faz preço do petróleo disparar. Entenda como isso afeta o Brasil

O regime iraniao fechou uma rota que levava mais de 20% de todo o petróleo no mundo.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Refinaria de petróleo com a bandeira do Irã acima, guerra fez preço dos combustíveis aumentar bastante.
Fonte da imagem: G1

Após uma semana de bombardeios no Oriente Médio, o preço do petróleo chegou ao patamar mais alto desde 2022, quando a guerra na Ucrânia começou. O barril do Brent ultrapassou a marca de US$100 nesta segunda-feira (9), subindo mais de 11%. 

Por que o petróleo está subindo tanto?

O principal motivo é o temor de um choque no abastecimento global de energia, com o Estreito de Ormuz praticamente paralisado desde o início dos ataques.

As estimativas apontam que cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo atravesse essa rota todos os dias. 

Em números absolutos, isso significa aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo por dia.

A passagem conecta grandes produtores de energia, como:

  • Arábia Saudita.

  • Irã.

  • Iraque.

  • Emirados Árabes Unidos.

  • Kuwait.

  • Catar.

Esses países dependem do estreito para exportar petróleo e gás para mercados da Ásia, Europa e América do Norte.

Com o estreito fechado ocorre o desabastecimento, o que gera uma baixa na oferta internacional e leva os preços a aumentarem.

Isso torna o preço dos transportes se tornarem mais caros, o que reflete em quase toda a economia.

Como isso pode afetar o Brasil?

A disparada do petróleo criou um problema para a Petrobras. A empresa está vendendo diesel com preços 30% abaixo do internacional, a maior defasagem registrada desde 2022.

Em alguns polos de importação, como Paulínia (SP) e Araucária (PR), o preço cobrado pela Petrobras chega a ser quase metade do praticado no exterior

A associação de importadores de combustíveis (Abicom), para se equiparar aos preços internacionais, a Petrobras deveria elevar o diesel em R$1,51 o litro e a gasolina em R$0,47 o litro.

A empresa está há 304 dias sem reajustar o diesel. A presidente da Petrobras disse no início da semana que a companhia monitora de perto os desdobramentos do conflito e prevê uma semana de observação antes de qualquer decisão sobre reajuste.

Fechamento do Estreito de Ormuz também afeta exportações brasileiras

Além disso, o Brasil também pode ter suas exportações afetadas, já que 4,8% das exportações brasileiras atravessam o estreito.

Quase 68% dessas cargas eram de proteína animal, principalmente frango. Cerca de 23% de todos os frangos exportados pelo Brasil foram para a região.

Segundo dados de comércio marítimo, no ano passado cerca de 158 mil contêineres saíram do Brasil rumo a esses países.

Entenda melhor a situação no estreito de Ormuz com o especial da Brasil Paralelo. Assista completo abaixo: