Arqueólogos usaram relatos do folclore local para fazer a descoberta.
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Durante séculos, lendas falavam sobre luzes estranhas e espíritos que puniam quem perturbasse túmulos perdidos ao redor da Irlanda.
Esses relatos foram algumas das histórias analisadas por pesquisadores para fazer uma descoberta arqueológica histórica.
A equipe encontrou dezenas de cemitérios infantis esquecidos, chamados cillíní. Os locais eram usados para enterrar bebês que morreram em abortos espontaneos ou que não puderam ser batizados.
O ponto de partida não foi uma escavação, mas as tradições orais. Os pesquisadores analisaram mais de 350 relatos no arquivo das escolas da Coleção Nacional de Folclore da Irlanda.
Essas narrativas guardavam pistas sobre nomes de lugares, práticas funerárias e crenças associadas aos cillíní.
Os relatos folclóricos foram confrontados com dados arqueológicos, mapas históricos e levantamentos de campo.
Ao cruzar essas informações, os arqueólogos conseguiram encontrar 11 cillíní e localizar 16 cemitérios perdidos.
A pesquisa identificou variações regionais nos rituais. Em dois cemitérios, os bebês eram enterrados separados por sexo, com áreas distintas para meninos e meninas.
Outros relatos mencionam práticas de cura popular, nas quais crianças doentes eram levadas aos cillíní na esperança de recuperação.
A arqueóloga Marion Dowd, que liderou as investigações, destacou que o estudo também revela muito sobre questões emocionais e culturais ligadas aos enterros.
Muitos dos relatos trouxeram à tona sentimentos das famílias, como luto, vergonha e pressão social.
Dowd chamou essa investigação de “arqueologia da emoção", por considerar que as evidências analisadas revelam experiências que dificilmente aparecem em documentos oficiais.
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