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Os arqueólogos que descobriram um raro esqueleto medieval com prótese de ferro na mão

Tecnologia do século XV sugere que ele ocupava posição de destaque na sociedade.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
O esqueleto com a prótese de ferro na sepultura de Freising, na Alemanha
Fonte da imagem: Escritório do Estado da Baviera para a Preservação de Monumentos

Trabalhadores escavavam o solo perto da Igreja de São Jorge, no sul da Alemanha, quando encontraram uma sepultura. Julgaram ser apenas mais uma, já que era costume o sepultamento próximo às igrejas.

No entanto, o que estava dentro dela surpreendeu os arqueólogos. Havia um esqueleto de um homem que viveu entre os séculos XV e XVII. E no lugar onde deveria estar sua mão esquerda, havia uma prótese de ferro.

A descoberta aconteceu em 2023 e foi divulgada pelo Escritório do Estado da Baviera para a Preservação de Monumentos. Para os arqueólogos, a peça metálica revela o nível de desenvolvimento médico no século XV.

Uma prótese no lugar da mão

O homem tinha entre 30 e 50 anos quando morreu, por volta de 1450 a 1620. Quatro dedos da mão esquerda haviam sido amputados. Só o polegar original permanecia.

No lugar dos outros quatro, uma estrutura de ferro com reproduções levemente curvadas e paralelas umas às outras.

"Provavelmente, a prótese era amarrada ao pedaço da mão com tiras", descreveu Walter Irlinger, diretor do Departamento de Proteção ao Patrimônio Arqueológico do BLfD.

A parte interna dos dedos tinha um tecido de dobra. O revestimento externo, provavelmente de couro, não resistiu ao tempo.

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Quem era esse homem?

A identidade do homem segue desconhecida. Como perdeu a mão e para que servia a prótese são perguntas que os investigadores ainda tentam responder.

Mas alguns detalhes da descoberta dizem muito. Ter uma prótese naquela época era raro e custoso.

A arqueóloga Amira Adaileh destaca que apenas cerca de 50 próteses de braço ou mão desse período foram encontradas em toda a Europa Central.

A complexidade da produção sugere que o homem ocupava um lugar de destaque na sociedade.

A prótese mais famosa do período pertenceu ao cavaleiro imperial Götz von Berlichingen, que perdeu a mão direita para um tiro de canhão no cerco de Landshut, em 1504, e mandou fabricar uma substituta de ferro que se tornou símbolo da Idade Média.

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Cidade de bispos e guerras

A cidade de Freising foi sede de bispos e um estado independente de grande influência na região.

Também foi palco de ofensivas militares, o que provavelmente aumentou a demanda por amputações e próteses na época.

As escavações continuam. E com elas, os arqueólogos pretendem encontrar mais histórias enterradas sob o solo alemão.

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