Segundo seus advogados, Marcos Antônio da Silva Neto pretendia se entregar para a polícia após vingar a morte da mãe.

Em 2016, Glauciane Cipriano foi assassinada com mais de 20 facadas na frente do filho de 9 anos.
Ela estava em um churrasco com amigos, quando seu companheiro, Rafael Garcia Pedroso, a matou por ciúmes.
A Justiça o condenou a 22 anos de prisão, porém o caso foi anulado por falhas processuais e o réu passou para prisão domiciliar em janeiro.
Após 10 anos desse crime brutal, o assassino foi morto pelo filho da vítima, segundo a polícia de Frutal, no Triângulo Mineiro.
Rafael Garcia Pedroso foi morto no dia 31 de março, em frente a uma UBS enquanto aguardava atendimento para a esposa.
De acordo com a Polícia Militar, Marcos Antônio da Silva Neto se aproximou pelas costas e disparou várias vezes. Cinco tiros atingiram Rafael, que morreu no local.
As investigações apontam que o jovem monitorava o assassino de sua mãe desde o dia 15 de janeiro, quando ele deixou a prisão.
Após o crime, Marcos passou a ser considerado foragido e a Polícia Civil solicitou um mandado de prisão temporária.
A defesa afirma que o jovem demonstrou intenção de colaborar com as autoridades e pretendia se apresentar espontaneamente para prestar confessar o crime.
Segundo os advogados, isso não aconteceu porque a apresentação precisaria ser alinhada com a delegacia responsável.
Eles também afirmam que o suspeito não tentou fugir e segue disposto a colaborar com a investigação.
Em nota, a defesa destacou que o caso envolve “circunstâncias pessoais de extrema complexidade”.
Os advogados também ressaltaram que o jovem apresentou abalo emocional e chegou a buscar ajuda psicológica.
Leia a nota completa abaixo:
“A defesa técnica de Marcos Antonio da Silva Neto vem a público se manifestar acerca do homicídio ocorrido na última terça-feira (31), no município de Frutal/MG, que vitimou Rafael Garcia Pedroso.
Trata-se de fato grave, atualmente sob regular apuração no âmbito de inquérito policial, conduzido pelas autoridades competentes.
A defesa informa que o investigado se apresentará espontaneamente, acompanhado de seus advogados, ocasião em que prestará esclarecimentos formais, exercendo, inclusive, o seu direito de confessar os fatos perante a autoridade policial, colaborando com a completa elucidação do ocorrido.
Ressalta-se que o caso envolve circunstâncias pessoais de extrema complexidade, marcadas por um histórico trágico que remonta à infância do investigado, o qual, ainda criança, presenciou a morte violenta de sua própria mãe, fato este, de conhecimento público, delito atribuído à atual vítima.
Tal episódio produziu impactos emocionais profundos e duradouros, sem que tenha havido, à época, o devido acompanhamento psicológico ou suporte estatal adequado, circunstância que será oportunamente analisada sob o prisma técnico-jurídico.
A defesa enfatiza que a apuração deve ocorrer com absoluto respeito às garantias constitucionais, especialmente o devido processo legal, e o direito à ampla defesa.
Confia-se que, no curso das investigações, será possível esclarecer de forma precisa o contexto em que os fatos se desenvolveram, permitindo uma análise justa, técnica e proporcional por parte das autoridades competentes.
Por fim, em respeito ao andamento das investigações e à dignidade de todos os envolvidos, a defesa não fará, neste momento, considerações aprofundadas sobre o mérito.”