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Ataque de gangue deixa mais de 70 mortos no Haiti

Os números foram divulgados por um grupo de direitos humanos. Relatórios do governo haitiano falam em menos mortos e ONU pede transparência.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
região de Artibonite, onde aconteceu o massacre de mais de 70 pessoas no Haiti
Fonte da imagem: USAID

Ao menos 70 pessoas foram assassinadas durante um ataque armado de uma gangue no Haiti, segundo a organização Coletivo em Defesa dos Direitos Humanos.

Segundo autoridades de proteção civil, o ataque foi conduzido por membros da gangue Gran Grif, um dos grupos armados que disputam território na região.

A ação aconteceu na madrugada de domingo, quando criminosos fortemente armados invadiram a localidade de Jean-Denis por volta das 3h da manhã.

O ataque foi rápido, mas acabou deixando cerca de 6 mil pessoas abandonadas em suas casas para escapar da violência.

Dias antes, mais de 2 mil pessoas já haviam sido forçadas a deixar suas residências em áreas próximas, como Verrettes. 

O avanço das gangues tem empurrado comunidades inteiras para fora de suas cidades, ampliando uma crise humanitária que já se arrasta há anos.

Em março, os EUA passaram a tratar grupos como Gran Grif como organizações terroristas e ofereceram recompensas de até R$15 milhões por informações.

ONU diz que caso escancara a crise humanitária no Haiti

A ONU condenou o ataque e pediu uma investigação completa. Um porta-voz do secretário-geral afirmou que o episódio evidencia a gravidade da crise de segurança no país.

As estimativas da Organização variam entre 10 e 80 mortos, o que ilustra a dificuldade de obter dados precisos em meio ao caos.

O próprio Estado haitiano tem minimizado o ocorrido. A polícia relatou 16 mortos e 10 feridos e um relatório da Defesa Civil indicava um número entre 17 mortos e 19 feridos.

País enfrenta uma das maiores crises de segurança do mundo

A região de Artibonite, uma das mais importantes para a agricultura do país, se tornou uma das mais violentas

Nos últimos anos, o conflito entre gangues se intensificou e o número de assassinatos cresceu, ultrapassando mais de 5.500 mortos entre março de 2025 e o começo do ano, em um país com 12 milhões de habitantes.

Mesmo com o apoio de uma missão internacional respaldada pela ONU e a atuação de forças de segurança haitianas, o Estado ainda não conseguiu prender líderes relevantes dessas organizações.

O cenário caótico do Haiti parece ser irreversível, no entanto, o mundo testemunhou como o país com a maior taxa de homicídios se tornou um dos mais seguros.

Isso foi possível por causa das políticas de linha dura implementadas pelo governo de Nayib Bukele.

Apesar dos índices, suas políticas são acusadas de violar direitos humanos por ONGs e opositores

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