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Lula revela que tentou reunir líderes de esquerda e descobriu que restaram poucos

Em entrevista à New Yorker, presidente relatou o esvaziamento da esquerda, defendeu o comércio global e criticou Trump e Elon Musk. Saiba mais.

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Redação Brasil Paralelo
Publicado em
Lula com gravata com as cores do Brasil e fundo vermelho
Fonte da imagem: The New Yorker

Durante a conversa, Luiz Inácio Lula da Silva revelou os bastidores de uma tentativa frustrada de reunir líderes de esquerda em uma cúpula internacional.

"Quando nos sentamos para fazer a lista, descobri que não havia mais progressistas! (...) Para evitar que a reunião ficasse pequena demais, troquei 'progressistas' por 'democratas' para poder convidar Biden, Macron e outras pessoas".

O presidente também afirmou estar incerto sobre o futuro e disse não ter imaginado que a situação global chegaria ao ponto em que se encontra hoje.

“A democracia com a qual aprendemos a conviver depois da Segunda Guerra Mundial (...) está desaparecendo”, afirmou o presidente. “O que vem a seguir, não sabemos.”

Outros presidentes latino-americanos também se identificam como alinhados ao progressismo:

  • Na Colômbia, Gustavo Petro é alinhado à esquerda progressista;
  • No Chile, Gabriel Boric também se afirma esquerdista;
  • Na Bolívia, Luis Arce é filiado ao Movimento ao Socialismo (MAS);
  • No México, Claudia Sheinbaum é filiada ao MORENA, partido progressista e nacionalista.

Presidente criticou republicanos nos Estados Unidos

Ao longo da entrevista, Lula criticou figuras do Partido Republicano dos Estados Unidos, como o presidente Donald Trump e o senador JD Vance.

Também mencionou Elon Musk, afirmando que esses nomes estariam “negando as instituições que garantem a democracia no mundo”.

Um dos trechos que mais chamou atenção foi a declaração de que “aprendeu com Reagan e Thatcher” nos anos 1980 sobre a importância do livre comércio.

Segundo ele, “o mundo deveria permitir que produtos e dinheiro circulassem livremente”.

A fala contrasta com posicionamentos anteriores do presidente, que já classificou o neoliberalismo como um dos responsáveis pela desigualdade social mundial.

“Vi um discurso dele no Congresso dos EUA recentemente, e foi absurdo, aqueles republicanos aplaudindo qualquer bobagem que ele dissesse. Era quase o mesmo tipo de discurso que os anarquistas costumavam fazer na Itália e no Brasil no início do século”.

O presidente também criticou a atuação de Vance na política europeia e questionou sua visita à Alemanha. Para Lula, esse tipo de interferência em eleições estrangeiras é inadequado.

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Lula defendeu que o Brasil permaneça neutro em relação à guerra entre Rússia e Ucrânia

Enfatizou também que se recusou vender mísseis para o país europeu.

“Meu amigo Olaf Scholz veio aqui, sentou naquele sofá e pediu ao Brasil que lhe vendesse mísseis para que ele pudesse enviá-los à Ucrânia. Eu disse a ele que não venderia, com todo o respeito, porque não queria que nenhum ucraniano ou russo morresse com uma arma brasileira.”

O presidente também elogiou a China, apontando o país como um contraponto ao domínio tecnológico dos Estados Unidos.

"Precisamos dizer: graças a Deus temos a China que, do ponto de vista tecnológico, é muito avançada e pode competir no mundo tecnológico da IA, dando-nos uma alternativa para este debate"

A New Yorker descreveu Lula como um líder com “princípios de esquerda inabaláveis” e com capacidade de diálogo com diferentes correntes políticas.

O texto não analisa os resultados da atual gestão nem faz críticas internas ao governo.

A entrevista foi realizada no Palácio do Planalto, em Brasília. A reportagem é acompanhada por uma foto oficial de Lula posando com a gravata usada no anúncio do Rio como sede das Olimpíadas de 2016, em frente a um fundo vermelho liso.

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