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“Meu filho foi tirado de mim”: o apelo de um pai contra a transição de gênero do filho de 10 anos

Caso ganha destaque após Elon Musk expor decisão judicial que autorizou criança autista a mudar de sexo na Islândia.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Alexander Rocha sorri ao lado de seu filho; a criança está encostada em seu ombro e tem o rosto protegido por dois emojis de coração vermelho.
Fonte da imagem: Foto publicada por Alexander com seu filho

Na madrugada desta quarta-feira, o bilionário Elon Musk repostou um vídeo em sua conta no X. O post deu visibilidade ao apelo de Alexander Rocha, um pai que vive na Islândia e afirma ter tido o filho de 10 anos tirado dele pela Justiça.

O motivo? Ele se opôs à mudança de sexo da criança. Musk chegou a comentar que o "vírus da mente woke" afeta até a Islândia.

No vídeo, Alexander desabafa, dizendo que nenhum pai deveria passar por algo do tipo e que está há meses sem ver o filho, que foi diagnosticado com TDAH e transtorno do espectro autista.

Segundo Alexander, a disputa judicial começou quando a mãe da criança iniciou o processo de transição de gênero do menino aos sete anos. Aos dez, o tribunal islandês decidiu a favor da mudança de nome e do uso de bloqueadores de puberdade.

Alexander argumenta que o filho, pela idade e pela condição de autismo, não compreende as consequências de procedimentos que alteram drasticamente o corpo e a mente.

"As crianças merecem viver livres da ideologia de gênero radical, que as pressiona a tomar decisões de vida que elas nem sequer compreendem ainda", afirmou o pai.

O Islandês agora busca financiamento para recorrer da decisão no Tribunal da Islândia.

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Organização Woke esteve por trás da decisão

A sentença proferida em dezembro de 2025 pelo Tribunal local revela uma trama complexa. 

A guarda foi concedida à mãe pela falta de colaboração entre os pais e à resistência paterna em aceitar a identidade do filho. Segundo o tribunal, esse conflito gerava instabilidade emocional e sofrimento à criança.

O caso contou também com a participação da Samtökin '78, a organização nacional LGBT da Islândia.

A organização alegou que a agressividade e a automutilação do menino estavam ligadas ao sofrimento por não ter sua identidade aceita.

Esses laudos ajudaram a convencer o tribunal de que a criança precisava de afirmação para recuperar sua estabilidade emocional.

Sob as leis de autonomia de gênero da Islândia, o tribunal entendeu que o "melhor interesse da criança" era permanecer com a mãe, que apoia a transição.

Alexander se opôs totalmente e foi categórico:

"As crianças merecem viver livres dessa ideologia de gênero radical, que as pressiona a tomar decisões de vida que elas ainda nem conseguem entender."

A origem do que está por trás do caso

Para entender por que um tribunal na Islândia foca tanto na "identidade" em vez da biologia, é preciso olhar para 1955.

Foi naquele ano que o psicólogo John Money criou o conceito de "papel de gênero", defendendo que ser homem ou mulher era uma construção social, e não um fato biológico.

Mas Money não ficou apenas na teoria. Ele decidiu provar sua tese com um experimento que se tornaria um dos mais sombrios da medicina:

  • O caso David Reimer: após um acidente cirúrgico que mutilou um bebê, Money convenceu os pais a criarem o menino como uma menina ("Brenda").
  • A "prova" científica: durante anos, Money relatou ao mundo que o experimento era um sucesso absoluto e que a criança estava perfeitamente adaptada.
  • A realidade: Enquanto Money recebia aplausos acadêmicos, David vivia uma infância de confusão e sofrimento. A farsa só foi descoberta anos depois, quando David, já adulto, revelou a tragédia que sua vida havia se tornado.

A Brasil Paralelo viajou ao Canadá e mergulhou em meses de pesquisa documental para reconstruir essa trajetória.

O resultado é John Money, uma produção que expõe como uma teoria controversa do século passado se tornou a base das decisões judiciais de hoje.

Assista ao trailer

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