Morte de chefe do tráfico fez com que um dos cartéis mais poderosos do país começasse a atacar autoridades e incendiar alvos aleatórios.

Às vésperas da Copa do Mundo de 2026, o México está sendo palco de cenas de guerra, com trocas de tiros nas ruas, bloqueios em estradas e negócios em chamas.
O caos tomou conta do país neste domingo (22), após a morte do chefão do tráfico Nemésio Oseguera Cervantes, mais conhecido como El Mencho, em uma operação do Exército Mexicano.
El Mencho era o principal líder do Cartel de Jalisco Nueva Generación (CJNG), uma das organizações criminosas mais poderosas e violentas do mundo.
Ele estava se preparando para pegar um avião rumo à cidade do México, onde receberia tratamento de saúde.
Rumores alegam que ele tinha uma doença renal crônica e chegou a fazer um hospital particular na região em que morava.
Assim que os agentes tentaram abordá-lo, seus homens abriram fogo contra os oficiais, levando a uma troca de tiros que acabou com sete mortos.
A ação contou com apoio da inteligência militar mexicana e informações fornecidas pelo governo americano
A morte de El Mencho fez com que os homens do CJNG começassem uma retaliação brutal contra o governo.
A resposta começou com veículos incendiados e o bloqueio de estradas em uma série de estados, incluindo:
Os criminosos também fizeram ataques poderosos contra alvos aleatórios. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram membros do cartel colocando fogo em veículos e comércios.
Outro vídeo que viralizou mostra cenas de pânico no Aeroporto de Guadalajara, após rumores de que homens armados estariam nas redondezas e ameaçaram queimar o local.
Carros da segurança circularam e alertas de emergência chegaram a ser disparados, no entanto foi um alarme falso.
Há também relatos e vídeos que mostram confrontos entre militares e criminosos fortemente armados ao redor do país.
Em suas redes sociais, a presidente do México, Cláudia Sheinbaum, pediu calma e agradeceu as autoridades do país:
"A Secretaria da Defesa Nacional relatou a operação realizada esta manhã por forças federais, que resultou em diversos bloqueios e outras reações. Existe coordenação absoluta com os governos de todos os estados; devemos nos manter informados e em calma.”
Os governadores de todos os estados mexicanos assinaram uma carta conjunta na qual declaram apoio a ela e à operação que matou El Mencho.
Entre as 31 assinaturas estiveram governadores da oposição a Sheinbaum e seu partido, o esquerdista MORENA.
Eles se comprometeram a continuar trabalhando para fortalecer a prevenção ao crime organizado.
Segundo o documento, Sheinbaum conduziu a política de segurança "de forma decidida, responsável e estratégica".
Apesar da defesa, Cláudia já chegou a falar publicamente contra a guerra ao narcotráfico em seu país:
“Todos esses da direita que enchem a boca para falar em Estado de direito defendem a guerra contra as drogas. A guerra às drogas está fora da lei, porque como é dito em várias ocasiões ‘é permissão para matar sem nenhum julgamento’ e não serviu para nada.
Ela também acusou os defensores desse tipo de política de “autoritários” e chegou a compará-lós com os fascistas.
O partido de Sheinbaum defende que o tráfico pode ser combatido através de políticas sociais, um modelo chamado de “abraços e não balas” por seu antecessor Manuel López Obrador.
O governo focou em políticas sociais e afirmativas que tirassem os jovens do tráfico, o que não conseguiu resolver o problema da violência.
Na realidade, os primeiros anos do governo Obrador foram marcados por um aumento na violência e recordes de assassinatos no país.
Uma nação que seguiu por um caminho totalmente diferente foi El Salvador. Lá, o governo do presidente Nayib Bukele aplicou uma política linha dura e conseguiu acabar com as gangues que dominavam a região.
O país deixou de ser um dos mais violentos do mundo para se tornar um dos mais seguros, com mais de 1000 dias sem um assassinato.
No entanto, o modelo tem sido criticado por ONGs e opositores, que acusam Bukele de violar direitos humanos e transformar El Salvador em uma ditadura.
A Brasil Paralelo levou suas câmeras para lá e entrevistou ministros, jornalistas e até entrou nas principais prisões do país. O documentário vai ser lançado em breve.
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