Mundo5 min de leitura

Noelia Castillo Ramos morre em eutanásia após pais lutarem na Justiça para salvar sua vida

Pais recorreram por mais de dois anos e chegaram a acionar Tribunal Europeu de Direitos Humanos.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Noelia Ramos Castillo, jovem que morreu por eutanásia após os país recorrerem por mais de dois anos
Fonte da imagem: Yahoo Notícias

A jovem espanhola que passou dois anos enfrentando os pais na Justiça para passar pela eutanásia morreu nesta quinta-feira (26). O falecimento foi confirmado pelo jornal El País.

Noelia Castillo Ramos foi vítima de um estupro coletivo em 2022 e se lançou do quinto andar de um prédio após o crime, ficando paralisada da cintura para baixo.

Ela alegava sofrer com uma grave depressão, além de sentir dores constantes causadas pela queda.

  • Gostaria de receber as principais notícias do dia diretamente em seu E-mail, todos os dias e de graça? Assine o Resumo BP, a newsletter de jornalismo da Brasil Paralelo. Clique aqui e aproveite.

O que diz a lei sobre eutanásia na Espanha?

A Espanha foi o quarto país da União Europeia a autorizar que pacientes em algumas condições escolham a morte, legalizando a eutanásia em 2021. 

Para isso, eles devem se enquadrar em uma série de características, como:

  • diagnóstico de doença grave e incurável ou condição crônica incapacitante;

  • estar mentalmente apto;

  • sofrimento considerado intolerável;

  • pedido voluntário, informado e reiterado;

  • avaliação por mais de um profissional de saúde;

  • validação por uma comissão independente.

Apenas durante o ano de  2024, 426 pessoas morreram com a ajuda do Estado, segundo o governo

Pais lutaram para tentar salvar a vida da filha

Em 2024, a jovem solicitou formalmente o acesso à eutanásia, alegando depressão e sofrimento físico

Apesar do judiciário aceitar o pedido, os pais dela se recusaram a simplesmente deixar sua filha morrer.

Com apoio da organização Abogados Cristianos, eles entraram na Justiça e travaram uma batalha para tentar impedir seu suicídio

O argumento utilizado era que a doença mental dela poderia acabar com a capacidade dela de tomar uma decisão livre sobre o fim de sua vida.

O caso foi para o Tribunal Europeu de Direitos Humanos, que também negou o pedido para suspender o procedimento no dia 10 de março.

A mãe da jovem, Yolanda Ramos, disse para um programa da televisão espanhola que espera sua filha mudar de ideia e que está ao lado dela “até o fim”.