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Policial que chamou socorro por "suicídio" da esposa é preso e indiciado por homicídio

Defesa sustenta que foi suicídio e contesta a competência da Justiça Militar para julgar o caso.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto
Fonte da imagem: R7

São Paulo, 18 de fevereiro - O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto ligou para o serviço de emergência.

"A minha esposa se matou com tiro na cabeça. Ela é policial militar feminino”.

A vítima era a soldado Gisele Alves Santana, 32 anos. Ela foi encontrada morta no apartamento do casal, na região central da cidade.

O caso foi registrado inicialmente como suicídio. A polícia civil afastou essa possibilidade hoje (18).

Mesmo dia em que Geraldo foi preso. Um comboio com agentes da Polícia Civil e da Corregedoria da PM chegou ao apartamento onde ele estava em São José dos Campos.

O mandado havia sido expedido pela Justiça Militar horas antes, com aval do Ministério Público. Ele foi indiciado por feminicídio e fraude processual.

A investigação acumulou contradições

Muitas contradições foram encontradas durante a investigação. O jornalista Roberto Cabrini entrevistou Neto e confrontou suas respostas com a versão dos investigadores.

Uma vizinha registrou ter ouvido o disparo às 7h28. A primeira ligação de Geraldo para o socorro foi às 7h57. São 29 minutos ainda sem explicação.

Questionado pelo jornalista, o militar disse que a vizinha "devia estar sonolenta e viu a hora errada."

O laudo dos exames realizados no corpo de Gisele apontou lesões no rosto e no pescoço compatíveis com uma pressão típica de enforcamento, além de marcas de unhas.

Para explicar as marcas, Geraldo sugeriu que poderiam ter sido feitas pela própria filha de 7 anos ao abraçar a mãe, ou que Gisele teria se machucado propositalmente antes de atirar em si mesma para incriminá-lo.

Manchas de sangue da soldado foram encontradas espalhadas por outros cômodos do apartamento, não apenas onde o corpo foi encontrado.

Outro exame que detecta resíduos de pólvora nas mãos após um disparo, deu negativo para ambos.

Para a investigação, isso sugere que Gisele não efetuou o disparo. O resultado negativo do tenente-coronel também não surpreende a investigação:

“havia uma janela de quase meia hora sem explicação”.

Geraldo tomou banho na cena do crime

O militar disse que foi orientado por um socorrista a fazê-lo por causa da pressão alta. Policiais presentes no local afirmam o contrário, que ele foi orientado a não tomar banho.

A primeira ligação que fez após encontrar a esposa não foi para a família de Gisele. Foi para um desembargador, a quem chamou de "meu melhor amigo." A família da vítima só soube da morte por outros meios.

Possível ciúme

Mensagens enviadas por Gisele a uma amiga, divulgadas pela defesa da família, indicam o que ela pensava do relacionamento.

Em um dos trechos, ela escreveu: "Tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora me mata."

A mãe de Gisele afirmou em depoimento que a filha vivia um relacionamento abusivo e que o oficial era controlador e violento.

Na entrevista a Roberto Cabrini, Geraldo negou todas as acusações. Descreveu o casamento como "maravilhoso, perfeito" e disse estar sofrendo "um linchamento virtual."

Sobre um vídeo em que aparece apontando uma arma para a própria cabeça enquanto ameaça se matar caso Gisele o deixasse, afirmou que as imagens são falsas, geradas por inteligência artificial.

Dois especialistas ouvidos pela reportagem de Cabrini concluíram que o vídeo tem entre 90% e 98% de chance de ser autêntico.

A defesa sustenta que foi suicídio e contesta a competência da Justiça Militar para julgar o caso. O inquérito segue em andamento.

Geraldo será levado ao Presídio Militar Romão Gomes, na capital.

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