Pontífice afirma que direitos fundamentais vêm sendo relativizados em nome de “novos direitos”.
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Em um discurso, o papa Leão XIV afirmou que o mundo vive um “curto-circuito” no sistema de direitos humanos, no qual liberdades fundamentais vêm sendo restringidas em nome de novos conceitos de direito.
Segundo ele, esse movimento compromete a própria base dos direitos humanos e favorece a imposição da força sobre o diálogo.
Ao falar a cerca de 420 diplomatas, o papa destacou que liberdade de expressão, liberdade de consciência, liberdade religiosa e até mesmo o direito à vida estão sendo limitados em diversos contextos.
Para o Pontífice, o problema surge quando cada direito passa a ser tratado de forma autorreferencial, desconectado da realidade, da natureza e da verdade.
Segundo Leão XIV, quando os direitos deixam de ter um fundamento comum, perdem vitalidade e coerência, abrindo espaço para a opressão e para o enfraquecimento do próprio sistema internacional de proteção da dignidade humana.
No pronunciamento, o papa convocou a comunidade internacional a agir de forma concreta em defesa dos mais vulneráveis, afirmando que a proteção da dignidade humana deve ser um critério ético central, acima de fronteiras políticas, ideológicas ou religiosas.
Entre os pontos abordados, Leão XIV condenou a prática conhecida como “barriga de aluguel”, que, segundo ele, viola a dignidade tanto da mulher quanto da criança.
O papa afirmou que esse tipo de procedimento transforma a maternidade em objeto de transações comerciais e expõe mulheres vulneráveis à exploração.
De acordo com o Pontífice, a mercantilização da vida humana compromete o princípio de que toda pessoa deve ser reconhecida como um fim em si mesma, e não como meio para interesses econômicos ou ideológicos.
O discurso também tratou da urgência da paz mundial. Leão XIV condenou conflitos armados e violências em diferentes regiões do planeta, associando o aumento das guerras ao enfraquecimento do multilateralismo e à substituição da diplomacia do diálogo pela diplomacia da força.
Para o papa, a defesa dos direitos humanos não pode ser seletiva nem instrumentalizada. Ele afirmou que a proteção da vida humana em todas as suas fases é parte inseparável desse compromisso.
“A defesa da dignidade humana e a proteção dos mais vulneráveis são imperativos éticos fundamentais que transcendem fronteiras, ideologias e confissões religiosas”, afirmou o Pontífice durante o pronunciamento.
Ao tratar da liberdade de expressão, Leão XIV também alertou para o uso da linguagem como instrumento de ataque e exclusão, seja no debate político, seja nas redes sociais.
Segundo ele, palavras têm sido utilizadas como armas para enganar, ofender e silenciar adversários, o que dificulta o diálogo e aprofunda divisões.
O papa manifestou preocupação com o surgimento de novas formas de linguagem que, sob o pretexto de inclusão, acabam excluindo aqueles que não se alinham a determinadas ideologias.
Ao concluir, Leão XIV reiterou que a paz e a proteção dos direitos humanos exigem humildade, coragem e compromisso com a verdade, e afirmou que, mesmo diante de um cenário internacional marcado por tensões, a construção da paz continua possível.
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