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Parlamento britânico acaba com tradição de 700 anos

Nobres hereditários deixarão de existir após processo que durou mais de duas décadas.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
parlamento britanico acaba com assentos para nobreza hereditária
Fonte da imagem: politize!

Há séculos, algumas cadeiras do parlamento britânico eram reservadas para nobres por direito de nascimento

Agora, o governo trabalhista de Keir Starmer acaba com essa prática. O parlamento aprovou o projeto de lei que remove os últimos nobres hereditários da Câmara dos Lordes

A mudança completa um processo de reforma iniciada há mais de 25 anos e nunca concluída.

"No século XXI, não deveria haver lugares no nosso parlamento, fazendo nossas leis, reservados para aqueles que nasceram em certas famílias", disse o ministro da Constituição, Nick Thomas-Symonds.

Como funcionava

A Câmara dos Lordes existe há mais de 700 anos. Por quase toda a sua história, era composta por nobres que herdavam os assentos junto com os títulos

Na década de 1950, passaram a ser acompanhados por líderes civis e figuras nomeadas pelo governo chamados "lordes vitalícios", que hoje formam a maioria da câmara.

Em 1999, o governo trabalhista de Tony Blair expulsou mais de 600 dos cerca de 750 nobres hereditários.

Para evitar uma rebelião aristocrática, 92 foram autorizados a permanecer "temporariamente", no entanto estão lá há 25 anos. 

Atualmente ainda existem 88 lordes hereditários que ainda ocupam assentos na câmara

O fim do processo

Com o novo projeto aprovado esta semana, os nobres hereditários deixarão a câmara ao fim da sessão parlamentar atual, ainda nesta primavera.

O projeto ainda deverá receber o aval do rei Charles III para ser oficializado, o que é considerado uma formalidade.

Como parte de um acordo de última hora, um número não revelado de hereditários poderá permanecer convertido em lordes vitalícios, os partidos decidirão quem indicar.