Duas mulheres e uma família disputam na Justiça o controle de uma fortuna estimada em R$2 bilhões.

Descendente de suecos que vieram ao Brasil no início do século XX, Anita Harley construiu sua vida em uma das marcas mais conhecidas do varejo nacional: as Casas Pernambucanas.
Por décadas, ela administrou parte dos negócios da família de forma discreta e reservada a ponto de ser, talvez, uma das mulheres mais ricas do país que menos aparecia.
Tudo mudou em novembro de 2016, quando Anita sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico.
Apesar dos esforços de médicos brasileiros e estrangeiros, ela permanece em coma até hoje. Quase dez anos depois, não há previsão de alta.
Incapaz de se manifestar, ela se tornou o centro de uma disputa judicial que envolve familiares, uma suposta companheira e uma antiga funcionária.
A Justiça determinou a nomeação de uma pessoa para administrar o patrimônio de Anita.
Foi nesse momento que Sônia Soares, conhecida como Suzuki, veio a público afirmar que era esposa da empresária.
Segundo ela, as duas viveram juntas por 36 anos em uma mansão de 96 cômodos no bairro da Aclimação, em São Paulo, imóvel avaliado em cerca de R$50 milhões e que, de acordo com Suzuki, foi doado a ela por Anita antes do AVC.
A Justiça paulista reconheceu a união estável e deu à Suzuki o direito à casa. O filho biológico de Sônia, Artur Miceli, também foi reconhecido judicialmente como filho socioafetivo de Anita, tornando-se um dos herdeiros.
A família Harley contesta. Para as sobrinhas da empresária, Suzuki era funcionária e Artur era uma criança que recebeu a generosidade da tia, nada além disso.
Mas a disputa não termina aí. Uma terceira personagem apareceu: Cristine Rodrigues, que trabalhou ao lado de Anita desde 1966.
Cristine apresentou uma procuração assinada pela própria empresária, concedendo a ela poderes amplos para administrar os bens caso Anita perdesse a consciência.
Além disso, Cristine também afirma ser a verdadeira companheira de Anita e chegou a apresentar uma bênção do papa Francisco endereçada às duas para tentar comprovar o relacionamento.
Após uma série de decisões judiciais, a fortuna de Anita é hoje administrada por um curador externo. Suzuki, Cristine e a família Harley continuam a disputar o patrimônio na Justiça, sem resolução à vista.
Anita permanece hospitalizada, clinicamente viva, mas incapaz de responder ou tomar decisões.
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