Partido CHEGA defende regras mais rígidas para a imigração, inclusive de brasileiros.

O socialista Antônio José Seguro e o líder do partido de direita CHEGA, André Ventura, foram para o segundo turno na eleição presidencial de Portugal.
Essa é a primeira vez que Portugal terá um segundo turno nas eleições presidenciais desde a redemocratização em 1974.
Antônio Seguro recebeu cerca de 31% dos votos no primeiro turno, enquanto André Ventura ficou com aproximadamente 23%. O segundo turno está marcado para 8 de fevereiro.
Um levantamento apontou que Seguro venceria Ventura por 49% a 29% em um confronto direto.
Esta é a primeira vez que o CHEGA, partido fundado em 2019, alcança a fase final de uma eleição presidencial em Portugal.
Em apenas seis anos, a legenda saiu de 1,3% das intenções de voto para cerca de 23%, se tornando a segunda maior força do Parlamento, com 58 deputados.
Uma das principais bandeiras do CHEGA é o endurecimento das políticas migratórias. Durante a campanha, Ventura usou slogans como “Isto não é o Bangladesh”.
No programa político do partido, o CHEGA propõe uma imigração “controlada e responsável”, com:
Espaço Schengen é o nome da área que engloba os países da União Europeia que aboliram a necessidade de passaportes e controles de fronteiras entre si.
O partido afirma que relações históricas com países como o Brasil, os PALOP e Timor-Leste devem ser preservadas, mas sempre dentro desse modelo restritivo.
“As demais possibilidades devem submeter-se a quotas para trabalhadores não Schengen, incluindo as relações histórica e estrategicamente relevantes de Portugal com o Brasil, com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e com Timor-Leste que devem ser preservadas e renovadas.”
Apesar disso, o discurso de Ventura não mira a comunidade brasileira de 500 mil pessoas. Sua retórica costuma focar em imigrantes da África e Sudeste asiático.
A Brasil Paralelo entrevistou a deputada Rita Matias, do CHEGA. Clique aqui e assista à entrevista completa.
No ano passado, o CHEGA apoiou mudanças aprovadas no Parlamento que endureceram a Lei de Estrangeiros. Entre as principais alterações estão:
Mesmo sinalizando a força da direita portuguesa, uma eventual vitória de Ventura não significa mudanças imediatas nas leis.
Isso porque Portugal adota um regime semipresidencialista, no qual o poder está nas mãos do primeiro-ministro e não do presidente.
O presidente da República tem poderes limitados e pode conta com algumas prerrogativas, como:
Ou seja, embora tenha influência política relevante, o presidente não governa diretamente nem implementa políticas públicas por conta própria.
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