OTAN pressiona Alemanha para se rearmar, mas países europeus temem mudança.
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Desde a invasão da Ucrânia pelas tropas de Putin em fevereiro de 2022, a Europa tem voltado a se preocupar com a segurança e buscado aumentar seu poder militar.
O continente deverá aumentar seu orçamento militar em cerca de 7,8% ao ano entre 2025 e 2035, passando de US$571 bilhões para US$1,2 trilhão (R$62 trilhões).
Um dos países que mais tem sido mais pressionados para modernizar seu exército e se rearmar é a Alemanha.
Desde 2024, o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, chegou a falar que o país precisava “gastar mais e produzir mais”.
Berlim seguiu as orientações e está aumentando seu orçamento militar. A previsão é de que o país invista até R$982 bilhões até o ano de 2029.
Isso coloca o orçamento militar alemão como o quarto maior no mundo, atrás apenas dos EUA, Rússia e China.
Apesar do incentivo das nações europeias para assumir o protagonismo, o histórico da Alemanha alimenta fortes desconfianças de outros países europeus.
Apesar de hoje ser um dos principais defensores e beneficiários da União Europeia, a Alemanha tem um passado militarista.
A nação foi unificada no final do século XIX a partir do Reino da Prússia, conhecido como uma das regiões mais militarizadas no continente europeu.
A cultura alemã no início do século passado estava permeada em quase completamente os segmentos pelos ideais da nobreza, muito associados à guerra.
Um exemplo disso é que os estudantes universitários costumavam cortar os rostos em duelos de facas para entrarem em confrarias universitárias.
Essa visão de mundo colocou a Alemanha no centro de duas grandes guerras, que acabaram com o enfraquecimento do país.
Após a Segunda Guerra, sua reconstrução militar foi feita sob forte supervisão internacional e com limites claros.
Além disso, a cultura alemã foi transformada durante o processo de desnazificação promovido pelos EUA e nações aliadas no pós-guerra.
A integração econômica e política na União Europeia ajudou a criar a percepção de que rivalidades históricas haviam sido superadas. Mas a mudança do cenário internacional está alterando esse equilíbrio.
O continente europeu tem incentivado o processo de remilitarização alemã por considerar que precisa reforçar sua defesa diante da ameaça russa.
Poucos países têm a capacidade fiscal e industrial da Alemanha e a proteção americana é cada vez menos confiável, à medida que Trump tem pressionado seus aliados no velho mundo.
No entanto, esse cenário também desperta preocupação de aliados europeus e países da OTAN.
O governo francês se preocupa com a possibilidade de perder a supremacia militar na região, segundo uma matéria da Foreign Affairs.
Os militares de Paris também temem que a Alemanha busque aprimorar suas capacidades nucleares no futuro. A França não é o único país que não vê a ascensão militar da Alemanha com bons olhos.
A mesma publicação destaca que as autoridades polonesas temem que uma Alemanha fortalecida possa mudar de posição e marginalizar países menores da União Europeia.
A preocupação vem em parte pela volta de um sentimento nacionalista alemão, demonstrado pelo crescimento de partidos e movimentos como o AFD.
Analistas realistas citados na revista também destacam que o sentimento de rivalidade e revanchismo dos países europeus não acabou totalmente, só diminuiu.
Essa discussão acontece em meio a um cenário de grandes mudanças na geopolítica mundial.
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