Um grupo de estudantes havia convocado manifestação contra André Lajst.

A Faculdade de Direito da USP decidiu adiar, por motivos de segurança, uma palestra do cientista político André Lajst que ocorreria nesta quinta-feira (13).
O evento, que discutiria o processo de paz no conflito entre israelenses e palestinos, foi remarcado para a próxima segunda-feira (17).
A decisão foi tomada pela organização após a avaliação de risco de tumulto dentro do campus.
O alerta veio depois de o Centro Acadêmico XI de Agosto convocar um protesto nas redes sociais, afirmando “repúdio à presença de sionistas nas Arcadas”.
O grupo também acusou Lajst, judeu e presidente da ONG Stand With Us, de representar discursos que “legitimam a ocupação e a limpeza étnica”.
A publicação, posteriormente apagada, circulou amplamente entre os alunos.

A responsável pela atividade, professora Maristela Basso, afirmou que o adiamento se deve ao “risco de agressão”, sobretudo porque o dia coincidia com as eleições internas para a presidência do centro acadêmico, aumentando o potencial de tensão no local.
A docente relatou ter recebido apoio de pais de alunos, estudantes judeus, entidades comunitárias e da própria direção da faculdade para manter o evento sem cancelá-lo.
O ambiente ganhou ainda mais repercussão após a demissão de uma estudante ligada ao centro acadêmico, que trabalhava como estagiária no escritório Machado Meyer.
A empresa informou ao Estadão que desligou a jovem após sua publicação sobre o protesto, alegando atuar com base no “respeito” e na necessidade de manter um ambiente profissional “saudável, inclusivo e construtivo”.
De acordo com Lajst, a convocação feita pelo centro acadêmico foi “autoritária” e contrária à ideia de liberdade de expressão universitária.
Ele afirmou esperar que a USP garanta segurança suficiente para que a palestra ocorra. Em outras ocasiões marcadas por hostilidades, o cientista político já precisou ser escoltado pela Polícia Federal em eventos na Universidade Federal do Amazonas, em 2018 e 2023.
O evento faz parte do ciclo “Conversas sobre o Mundo”, que está em sua terceira edição e discute temas internacionais ao longo do ano.
Enquanto isso, o debate sobre o limite entre liberdade de expressão, ambiente acadêmico e tensão política segue crescendo dentro da universidade, agora sob a expectativa de que a palestra consiga finalmente ocorrer na segunda-feira.
Hostilidade a ideias divergentes, repressão velada e militância travestida de representação estudantil não são exclusividade de um evento. Para muitos alunos e professores, essa é a rotina dentro das universidades brasileiras.
Há salas com paredes pichadas, banheiros depredados e aulas onde a ideologia pesa mais do que o conteúdo.
Para revelar esse cenário de dentro, a Brasil Paralelo produziu o documentário Unitopia, com relatos inéditos de quem vive sob pressão ideológica nas maiores instituições de ensino do país.
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