Com metais, jatos e atividade longe do Sol, 3I/ATLAS desafia o que cientistas esperam de um cometa. Saiba mais.
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Viagens interestelares ganharam o imaginário popular em filmes como Interestelar e 2001: Uma Odisseia no Espaço. Durante décadas, pareciam coisa exclusiva da ficção científica.
Nos últimos anos, isso mudou. Astrônomos passaram a detectar objetos reais vindos de fora do nosso Sistema Solar, corpos que viajaram entre estrelas por milhões de anos antes de cruzar o caminho do Sol.
Um desses objetos é o 3I/ATLAS, o terceiro corpo interestelar já observado cruzando o Sistema Solar. Desde sua descoberta, ele despertou questionamentos sobre se poderia ser um cometa ou até uma nave alienígena.
No entanto, a resposta para essa pergunta parecia estar definida. Até pouco tempo, era quase certo que se tratava de um cometa. Ainda assim, isso pode estar perto de mudar.
O 3I/ATLAS é um corpo que se formou fora do Sistema Solar e foi ejetado de seu sistema de origem, passando agora perto do Sol em uma órbita hiperbólica, ou seja, sem chance de retorno.
Ele apresenta coma e cauda, sinais clássicos de cometas, o que sustenta sua classificação atual. Mas sua composição química e seu comportamento chamaram atenção.

Análises recentes indicam que o 3I/ATLAS é extremamente rico em metais nativos, como ferro e níquel, algo raro em cometas conhecidos.
Seu espectro químico se assemelha ao de meteoritos do tipo CR (condritos carbonáceos), considerados entre os materiais mais primitivos do Sistema Solar.
Além disso, foram identificados:
Parte dessa atividade pode ser explicada por reações químicas entre água e metal, chamadas de reações de Fischer–Tropsch, que liberam energia mesmo longe do calor do Sol.
A presença de possíveis “vulcões de gelo” e a alta concentração de metais levaram alguns pesquisadores a questionar se o 3I/ATLAS se encaixa perfeitamente na definição tradicional de cometa.
Em geral, cometas são ricos em gelo e pobres em metais. No entanto, especialistas alertam para conclusões precipitadas.
O astrônomo Cristóvão Jacques, fundador do Observatório SONEAR e integrante de redes brasileiras de observação astronômica, afirma que não há base para reclassificação no momento.
Segundo ele, o objeto continua sendo um cometa, pois apresenta coma e cauda, critérios fundamentais da definição atual.
“O que temos é um cometa interestelar com uma composição diferente da dos cometas do nosso Sistema Solar. Isso era esperado, dado que ele se formou em outro ambiente planetário”, explica.
No dia 19 de dezembro de 2025, o 3I/ATLAS chegará a 270 milhões de quilômetros do nosso planeta. A distância é segura e ele estará do outro lado do Sol, sem qualquer risco para a Terra.
Para efeito de comparação, a Terra fica a cerca de 150 milhões de quilômetros do próprio Sol.
Segundo a Nasa, o cometa continuará visível para telescópios e missões espaciais por alguns meses antes de seguir sua trajetória para fora do Sistema Solar.
Entenda mais sobre o 3I/ATLAS no canal da Brasil Paralelo:
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