Apesar do cessar-fogo, violência continua na região. Descubra o que uma capitã israelense contou à Brasil Paralelo.

Há dois meses, palestinos e israelenses saíram às ruas para celebrar o anúncio de que Israel e o Hamas concordaram com o plano de paz mediado por Trump.
O plano foi firmado em uma cúpula diplomática no Egito, reunindo dezenas de líderes internacionais e entrou em vigor às 12h do dia 10 de outubro
A proposta trazia 20 pontos para acabar com a guerra no Oriente Médio. A primeira fase envolve um cessar-fogo com condições a serem cumpridas pelos dois lados.
Apesar do fim formal das hostilidades, a região não vive um cenário de paz.
Um dos principais pontos para o cessar-fogo foi que Israel limitasse a presença militar na Faixa de Gaza para áreas estratégicas para a defesa do país.
A fronteira que separa a ocupação israelense do território do Hamas ficou conhecida como “Linha Amarela”.
Enquanto a paz foi selada no papel, a capitã Stoller, das Forças de Autodefesa de Israel, afirmou, em entrevista para a Brasil Paralelo, que a região ainda vive combates constantes:
“Quase todos os dias, militantes do Hamas tentam invadir as áreas de Israel e atacam nossos soldados.”
A capitã afirmou também que acontecem algumas ações em territórios palestinos, principalmente em resposta a ataques maiores:
“Nós não atiramos em ninguém que passa a linha amarela, apenas quando respondemos militantes do Hamas que cruzam para o nosso lado e quando os ataques são mais sérios atacamos infraestruturas do Hamas do outro lado.”
O Hamas também acusa Israel de violar o acordo. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, órgão controlado pelo grupo, 360 palestinos foram mortos e 922 ficaram feridos desde o início do cessar-fogo.
No mesmo período, três soldados das Forças de Defesa de Israel (IDF) foram mortos durante ataques conduzidos pela organização.
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Israel libertou 1968 prisioneiros palestinos que estavam detidos em seu território, entre eles 250 condenados por assassinato e 1.700 detidos.
Em contrapartida, o grupo terrorista e as organizações aliadas deveriam devolver todos os reféns vivos e mortos.
Eles entregaram os reféns vivos que faltavam, porém ainda não entregaram os últimos mortos que seguem em território
A capitã Stoller, das Forças de Defesa de Israel, afirmou que o Hamas não cumpriu com sua parte:
“O cessar fogo foi implementado com três critérios. O primeiro era libertar os reféns, eles deveriam devolver os reféns, mas ainda temos um refém, eles não cumpriram o primeiro critério.”
O Hamas afirma não saber a localização ou não conseguir recuperar alguns corpos, segundo fontes ouvidas pela CNN.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que a segunda fase do plano de paz está próxima.
A linha amarela se estende a cerca de 53% da Faixa de Gaza até o momento, a segunda fase prevê um novo recuo de Israel.
O primeiro-ministro destacou que é importante garantir que o Hamas cumpra seu compromisso de se desmilitarizar.
Um dos principais pontos do plano de paz é que o grupo terrorista abra mão de suas armas.
A capitã Stoller destaca que a desmilitarização da organização é um passo necessário para a pacificação da região:
“Entramos em Gaza e trabalhamos para reconstruir a região, ainda assim o Hamas usam suas armas contra tropas israelenses e civis palestinos que teriam colaborado com Israel ou agido contra o Hamas.”
O chefe negociador do Hamas e líder do movimento em Gaza, Khalil al Hayya, afirmou que o grupo só aceitará abrir mão das armas quando israel deixar a região:
"Nossas armas estão vinculadas à existência da ocupação e da agressão, se a ocupação terminar, essas armas serão colocadas sob a autoridade do Estado"
Em uma entrevista para a AFP, ele afirmou que rejeita a criação de uma força internacional com foco em desarmar seu grupo, mas defende a presença da ONU para mediar a região:
"Aceitamos o envio de forças da ONU como força de separação, encarregada de vigiar as fronteiras e garantir o cumprimento do cessar-fogo em Gaza".
A proposta de Trump prevê a criação de um órgão internacional para administrar a região durante o processo de saída de Israel e desmilitarização do Hamas.
Durante uma conferência que reuniu Egito, Turquia e Catar em Doha, o primeiro-ministro do Catar disse que não é possível falar em paz sem a retirada israelense:
“Estamos em uma conjuntura crítica… Um cessar-fogo não pode ser concluído a menos que haja uma retirada completa das forças israelenses e a estabilidade seja restaurada em Gaza”.
O representante da Turquia concordou com a fala, enquanto o ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdellatty, aproveitou para criticar Israel:
“Precisamos mobilizar essa força em solo o mais rápido possível, porque uma das partes, Israel, viola o cessar-fogo todos os dias”.
Apesar da pressão dos países muçulmanos, a capitã afirmou que a relação com as forças americanas tem sido muito boa:
“Nossa relação com os americanos está muito boa, o CCMC é liderada por eles, eles trouxeram tropas aqui e tem um escritório em que cuidam de tudo referente a comida e ajuda. Nós somos aqueles que estão garantindo.”
A sigla faz referência ao Centro de Coordenação Civil-Militar, uma estrutura criada para monitorar o cessar-fogo na região.
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