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Champinha está preso? Veja onde está o adolescente que sequestrou, torturou e matou um casal

Autor de sequestro, estupros e dois assassinatos aos 16 anos, ele nunca foi julgado por nenhum desses crimes.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Champinha
Fonte da imagem: Reprodução

Embu Guaçu (SP), outubro de 2003 — Os jovens Liana Friedenbach, 16 anos, e Felipe Caffé, 19, decidiram acampar sozinhos sem avisar às famílias. O que era para ser um fim de semana juntos tornou-se um passeio sem retorno.

O casal foi sequestrado por um grupo de homens armados. Felipe foi morto com um tiro na nuca no dia seguinte. Liana ficou cinco dias em cativeiro, foi estuprada repetidas vezes e morta com 15 facadas.

O mentor de tudo era Roberto Aparecido Alves Cardoso, o Champinha. Tinha 16 anos.

Os quatro adultos envolvidos foram julgados e condenados. As penas variaram entre 6 e 124 anos de prisão.

Champinha, por ser menor de idade, ficou sujeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente: a medida socioeducativa máxima prevista é de três anos de internação, independentemente da gravidade do ato.

Já que não existia forma de puni-lo, o sistema teve que interná-lo em uma unidade criada exclusivamente para ele. E lá permanece até hoje.

O sistema não tinha resposta para o que ele fez e ainda não tem

Foi Champinha quem teve a ideia do sequestro ao avistar o casal na mata. Foi ele quem estuprou Liana na primeira noite e supervisionou os outros homens.

Ele executou Felipe com um tiro na nuca e, cinco dias depois, levou Liana até um matagal, tentou degolá-la e desferiu as facadas. Segundo relato de investigadores à imprensa, disse que matou "porque sentiu vontade".

Nunca foi julgado por nenhum desses crimes. Após cumprir o prazo legal, não foi solto.

Em 2007, laudos psiquiátricos diagnosticaram Transtorno de Personalidade Antissocial e a Justiça determinou internação compulsória na Unidade Experimental de Saúde, instituição criada por causa dele, após o clamor público pelo caso.

Champinha permanece lá até hoje, aos 39 anos, sem condenação formal e sem prazo de saída. O sistema não tinha resposta para o que ele fez. Ainda não tem.

O caso é parte de um debate que o Brasil ainda não encerrou: como o sistema jurídico trata adolescentes que cometem crimes graves e quais são as consequências dessa legislação para as vítimas e para a sociedade.

O documentário Impunidade: A Maioridade Penal e Suas Vítimas, da Brasil Paralelo, investiga o funcionamento desse sistema: os casos reais, as contradições da lei e a origem das ideias que moldaram essa legislação. A produção estreia dia 19 na plataforma da Brasil Paralelo.

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