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Pela primeira vez na história, cidade moderna dos EUA pode ficar sem água potável

Após cinco anos de seca, autoridades planejam cortes de 25% no consumo e estudam medidas extremas.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Corpus Christi, Texas
Fonte da imagem: Reprodução

Uma cidade de 500 mil habitantes pode se tornar a primeira cidade moderna dos Estados Unidos a ficar sem água potável.

O alerta foi feito por autoridades de Corpus Christi, no Texas, após cinco anos de seca e a rápida queda no nível dos reservatórios que abastecem a região.

Sem chuvas intensas nos próximos meses, a cidade pode enfrentar um colapso hídrico já no próximo ano.

“Não temos precedentes para seguir. Não há manual”, afirmou o administrador municipal Peter Zanoni ao conselho da cidade.

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O problema vai além das residências

Corpus Christi abastece moradores de cidades vizinhas, mas mais da metade da água consumida na região vai para refinarias, fábricas químicas e indústrias petroquímicas.

Agora, a prefeitura quer cortar em 25% o consumo total de água a partir de 1º de setembro.

A meta representa uma redução de cerca de 16 milhões de galões por dia.

O racionamento de água já acontece há anos

Desde 2023, moradores estão proibidos de regar gramados. De acordo com dados da prefeitura, cerca de 70% das famílias já consomem menos água do que o permitido.

Os demais podem enfrentar multas e até corte no abastecimento.

A prefeita Paulette Guajardo, porém, rejeitou essa possibilidade.

“Eu jamais apoiaria cortar o fornecimento de água de alguém”.

O município corre para evitar que a crise afete as escolas

O distrito escolar local atende cerca de 33 mil alunos e afirmou que não pretende suspender aulas. Ao mesmo tempo, busca autorização para perfurar três poços artesianos para reduzir a dependência da rede pública.

O uso de água em campos esportivos já foi proibido. O maior desafio agora é manter banheiros e serviços básicos funcionando.

Hospitais também estudam alternativas próprias.

Autoridades municipais afirmaram que devem criar exceções para procedimentos médicos urgentes, mas admitem que ainda não têm um plano definitivo.

O maior impasse envolve a indústria.

Enquanto piscinas públicas consomem cerca de 2 milhões de galões durante todo o verão, uma única fábrica de plásticos utiliza cerca de 13 milhões de galões por dia.

Empresas ainda não explicaram publicamente como pretendem lidar com os cortes.

Especialistas afirmam que, se a seca continuar, parte das operações industriais poderá ser interrompida, com risco de demissões em massa e impactos econômicos profundos.

Se a situação piorar, autoridades estudam medidas mais drásticas: rodízio no abastecimento, distribuição de água por caminhões-pipa e até evacuações controladas em cenários extremos.

A prefeitura insiste que esse cenário ainda é improvável.

Mas, sem chuva, Corpus Christi pode entrar para a história como a primeira grande cidade moderna dos Estados Unidos a ficar sem água.

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