A cerimônia foi acompanhada de perto por soldados do exército mexicano fortemente armados.

Familiares e apoiadores do traficante Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, se reuniram para velar o criminoso em uma cerimônia marcada por luxo e uma forte presença militar.
Ele era um dos principais líderes do Cartel de Guadalajara Nueva Generación (CJNG), uma das facções mais temidas e poderosas do país.
Sua morte aconteceu após uma operação do Exército e deu início a uma série de ataques que paralisaram o país.
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O corpo foi levado em um cortejo de carros para um cemitério de uma cidade próxima a Guadalajara.

O trajeto completo foi acompanhado por policiais e militares fortemente armados, que ficaram nas proximidades do cemitério.

O local estava enfeitado por grandes arranjos de flores enviados anonimamente. Segundo a AFP, foram necessários cinco caminhões para transportar todas as coroas.
Muitos arranjos faziam referência a galos, em homenagem à paixão de Mencho pelas rinhas, que chegaram a lhe render o apelido de Senhor dos Galos.

Conforme os convidados chegavam, eram recebidos por uma banda que tocou músicas tradicionais mexicanas e narcocorridos, canções que exaltam chefes do narcotráfico.
Quando o caixão dourado chegou à capela dentro do cemitério, foi feita uma cerimônia religiosa com as pessoas mais próximas.

Após o rito, o caixão foi levado até o túmulo. A sepultura é simples, bem diferente dos grandes mausoléus que marcam o descanso de outros chefes do narcotráfico no país.
As homenagens duram cerca de uma hora. Muitos dos presentes usavam máscaras ou carregavam guarda-chuvas pretos para esconder o rosto e dificultar fotos.
A forma como o enterro foi feito dialoga com o imaginário popular sobre os carteis mexicanos e a narco-cultura do país.
Durante entrevista para a Brasil Paralelo, a deputada estadual por Jalisco, Mônica Magana comentou sobre a narcocultura no país.
Ela disse que essa questão é profundamente debatida, já que esbarra na liberdade de expressão. No entanto, deixou clara a necessidade de combater a cultura criminosa:
“Em um estado e em um país em que a narcocultura tem uma influência tão forte nas comunidades, sobretudo em comunidades em situação de vulnerabilidade, de pobreza, de baixos níveis de escolaridade, você deve garantir que não seja essa a cultura que os faça chegar a imaginar, criar ou aspirar a isso, que é o mais perigoso.”
Em sua visão, é necessário trabalhar para que a educação e a cultura de empreendedorismo possam chegar às famílias carentes:
“Além da punição, tudo deve estar focado na cultura e em como você educa a sociedade e a família para que entendam que é extremamente perigoso e complexo que se desenvolvam ao lado de uma narcocultura pertinho e, o mais perigoso, normalizada."
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