Criminosos ameaçavam os técnicos que eram chamados para resolver o problema.

Uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro revelou que o Comando Vermelho danificou a rede de gás encanado no Complexo do Lins para forçar os moradores a comprar botijões a preços altos.
Segundo a investigação, a facção não apenas sabotou como também ameaçou os técnicos que tentavam consertar o sistema.
Em nota, a Naturgy, empresa responsável pelo gás encanado na cidade, disse que precisou de ajuda da polícia para arrumar o fornecimento em setembro.
Desde então, a concessionária afirma não ter recebido nenhum chamado para averiguar problemas técnicos.
Enquanto o preço médio do botijão na região gira em torno de R$100, os moradores do Lins eram obrigados a pagar até R$300, um aumento de 200%.
A loja responsável pelas vendas fazia repasses financeiros às lideranças criminosas, transformando o gás de cozinha em mais uma fonte de renda do Comando Vermelho.
Na ação realizada nesta sexta-feira (28), policiais apreenderam mais de 700 botijões no local.
“As equipes, então, confirmaram que o estabelecimento tinha exclusividade nas vendas, consolidando o monopólio ilegal e prejudicial aos clientes. Em troca, a dupla responsável pelo comércio realizava pagamentos às lideranças criminosas”, comentou a polícia.
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Segundo investigadores da Polícia Civil ouvidos pelo jornal O Globo, estimativas apontam que criminosos na favela da Rocinha possuem uma receita mensal de até R$12 milhões e apenas 25% desse valor provém da venda de drogas.
Com os 2.120 mototáxis da favela da Rocinha pagando R$150 por semana, o tráfico arrecada R$318 mil, quase R$1,3 milhão por mês. As 60 vans da cooperativa pagam R$930 semanais cada, gerando R$223.200 mensais.
A essa se somam a exploração de sinais clandestinos de TV e internet, além do monopólio em itens essenciais, como gás e até água mineral.
Um botijão de gás custa R$140 na Rocinha, R$40 a mais do que em outros bairros, e o gatonet, usado por 70% das casas, sai a R$100 por mês no plano mais barato.
Narrativa de guerra às drogas já não se aplica ao caso brasileiro, é o que afirma o Secretário da Polícia Civil do RJ, Felipe Curi, em uma entrevista exclusiva para o documentário da Brasil Paralelo Rio de Janeiro: Paraíso em Chamas.
“As pessoas ainda insistem em falar em guerra às drogas, não existe guerra às drogas. Essa questão de guerra às drogas já acabou há muito tempo.”
“Dentro do universo de pessoas que você conhece, quantas usam droga? Chegou a um número? Agora, quantas usam internet, celular, transporte, água, luz, pão, construção civil? Hoje tudo isso pe receita explorada pelas organizações criminosas” (Victor Santos, secretário de Segurança do RJ)
O potencial econômico do controle territorial faz com que diversos grupos criminosos tentem expandir seu poder através da violência.
Rodrigo Pimentel, ex-agente do BOPE, destaca que atualmente “para a facção, o que importa é o território, vender maconha e cocaína é Besteira.”
A capital carioca, que já foi retratada como um paraíso tropical por alguns dos maiores artistas do país, passou a ser controlada e disputada pelo crime organizado.
Entenda como isso aconteceu e o risco do mesmo acontecer em todo o Brasil com o documentário Rio de Janeiro: Paraíso em Chamas.
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