Regime socialista foi implantado aos poucos através de medidas consideradas legais.
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O ditador venezuelano Nicolás Maduro foi preso pelo governo americano após uma operação cinematográfica na Venezuela neste final de semana.
Apesar de Trump afirmar que controlará o país nos próximos anos, o chavismo continua no poder.
O presidente americano chegou a dizer que a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, aceitará fazer o que é preciso para tornar a Venezuela “grande novamente”.
Em contrapartida, ele rejeitou a ideia de dar poder à oposição, afirmando que não entregará o país à Maria Corina Machado:
"Eu acho que seria muito difícil para ela ser a líder. Ela não tem o apoio, nem o respeito dentro do país. Ela é uma mulher muito simpática, mas não tem o respeito"
O chavismo conseguiu se enraizar nas estruturas do Estado venezuelano de maneira profunda.
Antes de Hugo Chávez assumir o poder, havia uma democracia formal controlada por um acordo político conhecido como Pacto de Punto Fijo, que garanta alternância entre os principais partidos desde 1958.
Esse sistema começou a ruir nos anos 1980, quando o país mergulhou em uma grave crise econômica causada pela queda no preço do petróleo e alto endividamento público.
Em 1989, o presidente Carlos Andrés Pérez estabeleceu uma série de medidas de austeridade e cortes de gastos.
A insatisfação com as mudanças, somada ao aumento do preço de transportes públicos e dos combustíveis, gerou o Caracazo, uma onda de protestos violentamente reprimidos.
Esse cenário de crise e instabilidade política abriu caminho para a ascensão de Hugo Chávez.
Em 1992, o então tenente-coronel liderou uma tentativa frustrada de golpe de Estado. Foi preso, mas ganhou notoriedade.
Anistiado anos depois, venceu as eleições de 1998 prometendo acabar com a corrupção e redistribuir a riqueza do petróleo.
Criou uma nova Constituição no ano seguinte, que ampliou seus poderes e ajudou a centralizar o comando do país.
Seus programas sociais reduziram a pobreza, mas foram financiados por altos gastos públicos em meio ao boom do petróleo, sem planejamento de longo prazo.
Chávez passou a governar com medidas cada vez mais autoritárias. Nacionalizou setores estratégicos, expropriou empresas e afastou opositores do sistema político.
Em 2002, militares tentaram derrubar Chávez, que conseguiu se manter após seus apoiadores tomarem as ruas.
Sob a justificativa de contragolpe, o presidente aumentou o radicalismo de seu regime, aumentando a pressão contra opositores e mídia.
Entre suas ações estiveram a cassação da concessão da Rádio Caracas Televisión, uma das maiores emissoras do país.
Ele também mudou a estrutura da estatal petrolífera PDVSA, demitindo diversos funcionários e os substituindo por aliados.
Em 2004, Chávez aumentou o número de ministros da Suprema Corte de 20 para 32, colocando aliados nos novos cargos e assumindo o controle sobre o Judiciário.
A economia, altamente dependente das importações, começou a desmoronar conforme os preços internacionais das commodities caíam.
Ainda assim, o presidente manteve alta popularidade com o apoio de parte da população beneficiada por programas sociais.
Após a morte de Chávez em 2013, seu sucessor, Nicolás Maduro, herdou um país em deterioração.
Sem o carisma de seu antecessor e diante da queda no preço do petróleo, Maduro enfrentou uma crise econômica devastadora.
A hiperinflação, a escassez de alimentos e medicamentos e a repressão a opositores se intensificaram.
A partir de 2015, quando a oposição venceu a maioria no parlamento, Maduro passou a governar por decretos, ignorando o Legislativo.
Em 2017, criou uma Assembleia Constituinte paralela e pró-regime, deslegitimando o Congresso tomado pela oposição.
A reeleição de Maduro no ano seguinte foi marcada por boicote da oposição e denúncias de fraude.
Grande parte da comunidade internacional rejeitou o pleito e o país passou a ser amplamente reconhecido como uma ditadura por diversos países.
Nessa época, o presidente da Assembléia Legislativa, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente interino após considerar o cargo vacante. Ele foi reconhecido pelos EUA, Brasil e uma série de países.
Em 2024, Maduro foi novamente declarado vencedor em uma eleição com indícios evidentes de manipulação dos resultados.
A oposição apresentou provas de que Edmundo González teria vencido, mas o regime não reconheceu. Protestos foram brutalmente reprimidos, com dezenas de mortos e milhares de presos.
Ano passado, a tensão entre Venezuela e EUA vinha aumentando, conforme os EUA fizeram a maior mobilização na região do Caribe desde a década de 1960.
O cenário culminou na operação que capturou Maduro neste final de semana. Conheça melhor a trajetória do ditador com o especial de Face Oculta. Assista completo abaixo:
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